As arenas romanas e a garota Isabela

Na época do imperador romano Nero (54 a 68 d.C.), espetáculos bizarros eram promovidos pela insanidade humana. Cristãos eram atirados as feras nas arenas romanas, os corpos mutilados e o show sangrento serviam de diversão para a platéia que, descontrolada, urrava e pedia bis.

Eram tempos sombrios caracterizados pela insensibilidade e primitivismo das atitudes e sentimentos.

Hoje, transcorridos quase 2.000 anos desses lamentáveis acontecimentos, na Era da Informática e do Conhecimento, ainda vive-se a euforia em relação à fatos lamentáveis protagonizados por infelizes criaturas.

Refiro-me obviamente ao caso da garota Isabela, barbaramente atirada do sexto andar do apartamento de seu pai. A mídia, a semelhança dos mandatários de outrora que promoviam shows bizarros para divertir pessoas, faz o mesmo ao conceder vasto espaço em seu noticiário ao crime cometido contra a garota. Câmeras, luzes, ação... A morte de Isabela tornou-se um precioso filão de ouro para aqueles que faturam as custas de atitudes lamentáveis cometidas por seres ainda em descompasso com a realidade.

As arenas romanas deram lugar aos canais de televisão, jornais, rádios, internet que correm a buscar novidades no caso da garota para atender a curiosidade da população. Famílias inteiras não desgrudam os olhos do noticiário, como apreciadores da inferioridade humana, ouvem uma, duas, três vezes a mesma entrevista. Alguns investigadores enrustidos ficam indignados com a postura serena adotada pela mãe de Isabela. Queriam vê-la derramando baldes de lágrimas para provar à opinião pública o seu amor pela filha. Confundem amor com choro e revolta.

E multidões apinham-se, empurram-se, engolem-se à frente do prédio onde morava o pai de Isabela. Querem justiça, querem justiça! Pedem pena de morte ou prisão perpétua. Afirmam que os assassinos são monstros e merecem pagar pelo crime. Contudo, poucos param para refletir e analisar a situação. Dominados pela indignação, deixam-se domar pelos instintos primitivos.

É um repeteco de outros tempos, com uma roupagem mais moderna caracterizada pela evolução tecnológica. Pagar o mal com o mal nada resolve, ao contrário, apenas torna as coisas mais complicadas. O clima denso, natural na ocorrência de crimes bárbaros, torna-se ainda mais nebuloso com o sentimento de revolta e vingança por parte das pessoas. Em horas como essa o melhor a se fazer é orar e meditar para que o equilíbrio seja o mediador das palavras e atitudes.

Os criminosos podem enganar o tribunal humano, mas não enganarão o incorruptível tribunal de suas consciências. Cedo ou tarde serão pressionados por essa juíza implacável para prestarem contas de suas atitudes. Fazer o mal, caro leitor e leitora é muito pior do que recebê-lo. O maior e mais justo julgamento, tenhamos a certeza, fica sob a responsabilidade do tempo, este senhor soberano fará a verdadeira justiça não apenas no caso de Isabela, como também em tantos outros crimes praticados pela ignorância humana. No mais, como bem acentuou o jornalista Zarcillo Barbosa ,o melhor que temos a fazer, sem sombra de dúvidas, é desligar a televisão e deixarmos de julgar a vida dos outros para irmos cuidar da nossa própria vida.

Wellington/Plasvipel

Os acidentes de trabalho e o Espiritismo

Wellington Balbo – Bauru – SP.


Segundo Idalberto Chiavenato segurança do trabalho é o conjunto de medidas técnicas, educacionais, médicas e psicológicas utilizadas para prevenir acidentes seja eliminando condições inseguras do ambiente, seja instruindo ou convencendo as pessoas da utilização de práticas preventivas.

Um breve histórico sobre o assunto concernente à segurança do trabalho e os acidentes de trabalho mostram que, desde há milênios, quando começou a desenvolver as atividades necessárias a sua subsistência o homem se viu as voltas com os acidentes de trabalho. Há quatro séculos antes de Cristo, Hipócrates, considerado o Pai da Medicina, estudou algumas moléstias envolvendo mineiros e metalúrgicos.

Plínio, O Velho, que viveu antes de Cristo fez menção à moléstias no pulmão de alguns mineiros, e falou sobre o envenenamento proveniente das atividades que eram desenvolvidas com ferro e zinco.

Paracelso investigou doenças ocupacionais no século XVI. Aliás, Paracelso em 1697 foi o autor da primeira monografia que versava sobre o assunto: trabalho e doença.

Em 1700, na Itália, Bernardino Ramazzini costumava perguntar aos seus pacientes: “Qual sua ocupação?”. Uma clara demonstração de que o tipo de trabalho de seu paciente influenciava decisivamente em sua enfermidade. O médico Ramazzini é considerado o “Pai da Medicina do Trabalho”. Publicou no ano de 1700 um livro que se repercutiria pelo mundo todo, seu nome: “"De Morbis Artificum Diatriba", uma obra notável que trata de 100 profissões distintas e o risco que cada uma oferece à saúde do trabalhador.

Percebe-se, portanto, que desde muito tempo o homem descobriu a co relação existente entre: segurança, acidente de trabalho, enfermidades e doenças ocupacionais.

Porém, embora as pesquisas que tocam no assunto acidente de trabalho sejam antigas nem sempre medidas preventivas ou básicas de segurança foram tomadas. No Brasil, por exemplo, muitas lutas por parte dos trabalhadores foram empreendidas no sentido de melhorar as condições de segurança do trabalho, isso ainda antes do advento da industrialização no século XIX, mas pouco foi conseguido nessa época. Não havia uma conscientização de que a segurança do trabalhador era importante e influenciava também na produtividade da empresa.

Nos anos 1960, o Brasil recebeu a infeliz alcunha de “Campeão nos Acidentes de Trabalho”. As mudanças precisavam ser realizadas com urgência, por isso os conceitos de prevenção e higiene ocupacional ganharam algum impulso, contudo somente no final dos anos 1970 é que o Brasil foi ter uma legislação melhor formulada, entretanto o desgaste internacional já havia ocorrido.

E ainda nos dias de hoje o Brasil está no grupo dos cinco países com o maior número de mortes por acidentes de trabalho. Dados que datam do ano de 2004 informam que só no citado ano foram 2.400 mortes de trabalhadores. O estado de São Paulo corresponde por 50% desse número de mortes, ou seja, 1.400 mortes. São dados alarmantes, caro leitor.

No Brasil ainda prevalece uma cultura imediatista que visa resultados a curto prazo. Quem emprega e visa somente números se esquece de fatores fundamentais, como, por exemplo, a segurança do trabalhador. Empregadores imediatistas e que visam somente o número são, portanto, os grandes responsáveis pelo Brasil ainda trazer índices alarmantes no assunto que versa sobre os acidentes de trabalho.

Fica a pergunta:

Será que havia chegado realmente a hora dessas criaturas deixarem o planeta Terra e retornarem ao mundo dos Espíritos?

Certamente que não, essas mortes por acidentes de trabalho são frutos da indiferença e negligência com que o homem costuma tratar seu semelhante.

Daí a necessidade da divulgação das lições que ensina o Espiritismo porque ele – o Espiritismo - atua de forma a combater o materialismo e, por conseguinte a extirpar a indiferença e negligência em que norteiam as ações de uma humanidade ainda carente de valores éticos e de respeito ao próximo.

É o próprio Codificador que define com clareza o objetivo principal do Espiritismo. Em artigo publicado na Revista Espírita de agosto de 1865, Kardec afirma “... o Espiritismo tende para a regeneração da Humanidade, este é um fato adquirido. Ora, esta regeneração não podendo se operar senão pelo progresso moral, disto resulta que seu objetivo essencial, providencial, é a melhoria de cada um...”

Fácil então compreender a relação que há entre Espiritismo e a diminuição ou mesmo erradicação das mortes que envolvem pessoas em pleno desempenho de suas atividades profissionais. Ao promover a melhora do individuo o Espiritismo promove por conseqüência a melhora das instituições, governos e cidades que estão sob sua coordenação, ao mesmo tempo em que despertar a consciência do Ser para a importância da reencarnação. Valorizar a vida e as pessoas em nossa volta, eis a chave que abre as portas de um mundo melhor. O Espiritismo ensina isso, cabe-nos, portanto, divulgá-lo a fim de que ocorra a tão sonhada revolução social que nos torna criaturas mais felizes e aptas a compreender nosso verdadeiro papel no mundo.

Pensemos nisso.



Bibliografia:

KARDEC, Allan. Revista Espírita agosto 1865.

Carrara e Coelho. Ontem e hoje com Kardec: sempre atual. 1.ed. São Paulo, Mythos Books, 2008.

Produtividade no Centro Espírita

Carvalho e Serafim, 2004, definem produtividade como um processo contínuo que extrai do funcionário motivado sua maior capacidade, visando obter melhores resultados com mínimo de tempo e esforço despendidos para as tarefas.

Os autores vão mais adiante e afirmam que o fator humano é fundamental à maximização da produtividade de Bens e Serviços, sendo, portanto, imprescindível a atualização e treinamento do profissional para que a produtividade seja algo além de um processo, constituindo-se em um estado de espírito. Notadamente o fator humano é fundamental em qualquer circunstância, é através do fator humano que novas idéias surgem e a tecnologia evolui facilitando todo e qualquer processo. E tudo se completa: a produtividade requer o aperfeiçoamento constante do Homem e o aperfeiçoamento constante do Homem desemboca em uma maior produtividade.

E, como é sabido, aumentar a produtividade é necessário. Dentro da realidade empresarial, no que tange aos objetivos dos líderes, o aumento de produtividade é um assunto constantemente comentado. E nesse particular esforços são realizados, cursos proporcionados, treinamentos ministrados, ferramentas implementadas e reuniões realizadas visando buscar um patamar maior de produtividade com o intuito de maximizar os lucros.

Mas, não pára por ai... Interessante o ponto de vista dos autores que discursam sobre a produtividade ser algo além de um processo, constituindo-se em um estado de espírito, além, obviamente do aspecto bem colocado da importância do valor humano na questão produtividade.

Portanto, ao ser dada essa definição à produtividade, os horizontes estão abertos para além do mundo empresarial. A produtividade cabe em todo e qualquer lugar. Onde tiverem recursos a serem administrados a produtividade estará inserida no contexto. E importante salientar, sendo a produtividade também um estado de espírito é fácil concluir sua correlação com a melhoria contínua, o aperfeiçoamento, o não ao comodismo, a labuta incessante pela melhoria.

A produtividade extrapola o limite do simples produzir mais, pois nela está contida a mentalidade da evolução. O processo de aperfeiçoamento que impõe a produtividade é a mola propulsora que faz descobrir novos procedimentos e formas de aperfeiçoar ou executar determinadas tarefas.

Este conceito de produtividade é compatível com os ensinos do Espiritismo, que, diga-se de passagem, é uma Doutrina jovial, que advoga a causa do aperfeiçoamento contínuo, da melhoria, da busca pelo progresso. É o próprio Codificador que diz isso em artigo publicado na Revista Espírita de agosto de 1865 “... o Espiritismo tende para a regeneração da Humanidade, este é um fato adquirido. Ora, esta regeneração não podendo se operar senão pelo progresso moral, disto resulta que seu objetivo essencial, providencial, é a melhoria de cada um...”

O Espiritismo fala com propriedade a respeito da melhoria do indivíduo, a produtividade também discorre sobre o assunto, portanto, pode-se perfeitamente buscar a produtividade nas mais diversas atividades que são desenvolvidas no Centro Espírita.

Na questão que envolve o labor na área da mediunidade, por exemplo, como inserir a questão da produtividade. Como ser um médium ou um dirigente mais produtivo?

Uma das formas de conseguir uma maior produtividade na área do intercâmbio com os Espíritos encontra-se bem delineada em O livro dos médiuns, Cap. XXIX, nº 333. Com a palavra o Codificador:

“Quando as reuniões se efetuam em dias e horas certos, eles (os Espíritos) se preparam antecipadamente a comparecer e é raro faltarem.

Reuniões nas quais seus membros se atrasam, nada se preocupando com o horário, tendem a ser pouco produtivas, porquanto o atraso por si só, além de sinal de desrespeito, ocasiona fadiga naqueles que esperavam o início da reunião. Nenhuma empresa alcançará o objetivo de aumentar a produtividade se não primar pela regularidade, ordem e disciplina, pois estes são fatores fundamentais para o sucesso de qualquer empreitada, com a atividade mediúnica ocorre o mesmo. Para que o médium possa de fato ser intermediário de comunicações produtivas se faz imperiosa sua adesão ao regime da disciplina, porquanto, os Espíritos também têm suas ocupações e atividades, e não podem ficar à disposição dos encarnados ao bel prazer. Compreende-se então que o fator humano, aqui exposto na figura do médium, é importante para que uma reunião mediúnica seja produtiva e alcance seu real objetivo de beneficiar criaturas do plano visível e invisível.

Outra atividade interessante para ser estudada à luz da temática produtividade são as palestras proferidas no Centro Espírita. O que é um orador produtivo? Será aquele que arrebata, emociona, ensina, informa?

Como ser um orador produtivo? Será que basta somente o conhecimento espírita?

É uma boa questão para reflexão de oradores e dirigentes espíritas. Partindo da premissa de que a função do Centro Espírita é ensinar Espiritismo, a tarefa do orador é, sem dúvida, transmitir da melhor forma possível os postulados kardequianos. Portanto, uma das virtudes fundamentais do orador espírita produtivo é estar embasado nas obras basilares da Codificação. Mas como ser produtivo lidando com um público heterogêneo que procura o Centro Espírita pelos mais variados motivos? Nas palestras públicas muitos nunca ouviram falar sobre Kardec e sua obra. Como então ensinar Espiritismo?

A chave está em aliar o conhecimento espírita à sensibilidade em perceber o que o público aguarda, adaptando a mensagem, obviamente caracterizada pelo fundamento espírita, à realidade dos ouvintes. Como ensinam os autores, a produtividade é algo além de um processo, constituindo-se em um estado de espírito. Portanto, o orador espírita produtivo vai além das palavras e estabelece conexão com o público. O orador espírita produtivo utiliza as ferramentas do estudo espírita e da sensibilidade para produzir mais em prol da missão do Espiritismo que é a regeneração da humanidade. O orador espírita produtivo está sempre se atualizando, estudando, pesquisando a Doutrina Espírita sem se esquecer da realidade do público, muitas vezes leigo em Espiritismo. O orador espírita produtivo transmite as lições do Espiritismo, mesmo as mais complexas, de forma simples e elegante.

Foram abordadas à luz da produtividade somente duas tarefas realizadas pelo Centro Espírita, todavia, em virtude da multiplicidade de trabalhos ofertados pelo Centro Espírita, a questão da produtividade pode e deve ser aplicada sempre, a fim de que o Espiritismo desempenhe de forma eficaz sua tarefa de transformar o mundo em um recanto de paz e harmonia para todos seus habitantes.

Pensemos nisso.

A resposta de Chico

Certa vez alguém perguntou à inesquecível figura de Chico Xavier:

Chico, sexo antes do casamento é permitido?

O médium, com sua peculiar mineirice, respondeu:

Tudo é permitido, porém, sem amor nada vale a pena, nem sexo nem casamento.

A resposta de Chico é colossal, abrangente pode ser aplicada tranqüilamente em nossa vida nos mais variados assuntos.

Aliás, a resposta de Chico cabe perfeitamente aos pais cujo objetivo de vida principal se resume em galgar degraus na careira profissional, conquistando pontos com a sociedade, mas perdendo pontos com a família e negligenciando deveres fundamentais pertinente à educação dos filhos.

Ora, a atividade profissional e a dedicação do individuo a ela é fundamental, porquanto, lembrando Maslow, trabalho, a depender do ponto de vista, enquadra-se dentro das necessidades básicas da criatura humana. Sem o dividendo advindo dos labores de nossa profissão, como manter família, ou vulgarmente dizendo: Como trazer o pão de cada dia ao lar. E a alimentação é uma necessidade básica de todos. Por isso, afirmamos a importância da dedicação do profissional aos labores profissionais, contudo, sem exageros.

A propósito, interessante lembrar que as intensas vontades de consumir superestimadas pelas propagandas, pelo marketing e pela mídia de forma geral, ajudaram a construir os workaholics, ou seja, pessoas viciadas em trabalho.

Acrescente-se a isso o intenso clima de competição vigente no mundo atual e pronto. Está formado o cenário perfeito para os malucos modernos! Viciados em trabalho, alucinados por competir, insaciáveis para mostrar suas qualidades, ou melhor, suas conquistas no âmbito puramente material aos seus colegas, ou melhor dizendo, rivais.

Logo, com todos esses afazeres, naturalmente a família e os filhos são esquecidos. Com valores esquecidos e a educação dos filhos relegada à terceiros, quartos e quintos, a desorganização instala-se em toda a sociedade.

Sem valores como respeito, companheirismo, amizade e, principalmente amor ao próximo, a violência em suas mais variadas vertentes - como o sentimento de posse, cobranças descabidas, pressões psicológicas e abusos de autoridade - infiltra-se na sociedade, trazendo consigo a desconfiança, o medo, as aflições e angustias que caracterizam criaturas perdidas, sem objetivos mais ousados no campo de seu desenvolvimento como seres imortais.

Em conversa com uma de minhas professoras tomei nota de uma pesquisa elaborada por ela e realizada com crianças de 8 a 15 anos matriculadas no ensino público e privado. Umas das perguntas da pesquisa:

Trabalhar é legal? Justifique.

Oitenta por cento das respostas fez corar porque afirmavam que trabalhar não é legal, ocupa muito tempo, não deixando espaço para os filhos. Veja, caro leitor e leitora, a mensagem que os pais estão transmitindo aos seus filhos é negativa. O garoto quer o pai ao seu lado, soltando pipa, brincando de carrinho, contando histórias, sendo criança com ele, mas repreendendo na hora certa, ensinando, instruindo, orientando...

Importante, pois, refletir no que estamos ofertando aos nossos familiares e filhos. Será que queremos vê-los crescer e considerar natural ser, por exemplo, um workaholic?

Será que queremos instalar nos pequenos corações de nossos filhos a idéia de que o trabalho se resume apenas à atividade profissional, e é algo chato, que ocupa tempo e desagrega a família?

Por isso, lembrando o inesquecível Chico, pode-se afirmar que, sem amor nada vale a pena, nem mesmo trabalhar.

Pensemos nisso.

Wellington Balbo

Feira do Livro Espírita de Jaú

De 8 a 14 de abril foi realizada no Shopping Center de Jaú a Feira do Livro Espírita daquela cidade. Tive o prazer de estar na abertura e posso dizer que foi um sucesso. Organizada, estantes com inúmeros títulos que distribuídos desde o romance até a ciência fizeram a alegria do leitor, autores e expositores falando todas as noites sobre suas obras e o conhecimento espírita, além de local com fácil acesso tornou a Feira do Livro Espírita de Jaú um espaço agradável para estar com a família e amigos. Foi uma verdadeira festa do livro e da cultura espírita.

O público de Jaú e região prestigiou o evento. Público espírita e não espírita, diga-se de passagem. A propósito, trago relato da médium Maria Nilcéia autora do livro Pais Conscientes, Filhos Felizes, sob a inspiração do Espírito Wallace Leal, e que foi a expositora da sexta feira dia 11/04.

“Foi muito bom, além de pessoas espíritas, minha família de lá compareceu também, mesmo sendo todos católicos, minha amigas também foram. Senti-me bastante emocionada e feliz.”

Uma ousada iniciativa da USE Jaú de divulgar as lições que ensina o Espiritismo além das paredes do Centro Espírita.

Isso nos faz lembrar Kardec, que em Obras Póstumas diz: “Dois elementos devem concorrer para o progresso do Espiritismo; estes são: o estabelecimento teórico da Doutrina e os meios para popularizá-la.”

O bom e fiel livro espírita nesse tocante cumpre as duas funções: realiza por intermédio de suas páginas o estabelecimento teórico da Doutrina e divulga as lições espíritas de forma a popularizá-las. As lições contidas nos livros alcançam distâncias incomensuráveis, rasgam milênios e atingem corações em todos os cantos e recantos do mundo.

Entende-se então que, a USE Jaú com a feliz idéia de realizar o evento da Feira do Livro Espírita no Shopping da cidade atuou nessas duas frentes citadas pelo Codificador: o estabelecimento teórico da Doutrina por intermédio dos livros e a divulgação em ambiente fora do utilizado costumeiramente, ou seja, fora do Centro Espírita, de modo a facilitar a popularização do Espiritismo.

E por que é tão importante divulgar o Espiritismo fora do ambiente do Centro Espírita através de livros e eventos?

Porque embora não tenha inventado a reencarnação, nem a comunicabilidade dos Espíritos com o mundo material, nem a lei de causa e efeito e tampouco foi o primeiro a falar sobre os mundos que circulam no universo e são habitados por vida inteligente, o Espiritismo enuncia essas leis de forma clara, sem misticismos e fanfarronices. São leis naturais que regem a vida, e todos têm o direito inalienável de estudá-las para compreendê-las. O Espiritismo faz esse estudo e as apresenta de forma coerente e sensata, por isso a importância de popularizá-lo, como afirmou o Codificador.

Tomara mais iniciativas como essa da USE Jaú venham presentear espíritas e não espíritas com as belezas da literatura espírita, que esclarece e conforta. Nossos parabéns a diretoria da USE Jaú, colaboradores e população de Jaú e região pela belíssima festa realizada na semana que se findou.

Wellington Balbo – Bauru SP.

EUS SEI MINHA IMPORTÂNCIA DENTRO DO CONTEXTO DA SOCIEDADE???

Você já parou para pensar na sua importância dentro do contexto da sociedade?

Se a resposta foi positiva, emendo outra pergunta:

Será mesmo?

Será que você sabe de sua importância como cidadão, esposo, esposa, mãe, filho, irmão, estudante, eleitora, profissional?

É ai que mora o X da questão. Não temos idéia de nossa importância para a organização da vida em sociedade.

· O pai diz que sabe de sua importância para o filho, contudo, relega sua saúde a segundo plano.

· A eleitora diz que sabe de sua importância para a democracia, mas não lembra em quem votou na última eleição.

· O profissional diz que sabe de sua importância para a empresa, entretanto não observa as tendências do mercado que sinalizam para o aperfeiçoamento contínuo.

Somos incoerentes. Se soubéssemos realmente o grau de importância que temos dentro do contexto da sociedade seríamos mais sensatos e procuraríamos equilibrar a balança teoria e prática.

Eis uma razão para isso: somos todos importantes!

Lembro-me de pitoresco fato: porteiro que trabalhava em empresa localizada no interior do estado de São Paulo enfrentava dilema íntimo: sonhara em ser homem de grande influência e importância social, contudo a vida lhe relegara o emprego de porteiro, o que para ele era um trabalho secundário, sem as pompas que envolvem outras profissões ele sentia-se desprestigiado. Porém, certo dia ausentou-se da guarita para socorrer uma colega que torcera o pé ao subir um dos degraus do pavimento em que trabalhava. Ao retornar a seu posto um congestionamento de carros na entrada da empresa. O presidente, homem poderoso, influente, importante também estava na fila aguardando o dedo do simples porteiro apertar o botão abre e fecha do portão.

O porteiro compreendeu que a vida é uma engrenagem perfeita, onde o “importante” empresário não prescinde do “simples” porteiro para fazer seu trabalho.

Um mundo onde todos saibam sua importância está bem próximo do ideal. A inveja, o ciúme, a discórdia, o auto extermínio e todos os derivados das paixões inferiores que causam calamidades e a derrocada moral de muitos indivíduos terão desaparecido, porque o ser humano descobriu seu valor, sua importância e, por isso não precisa querer o espaço do outro ou utilizar meios escusos para se fazer admirado.

Portanto, para que a fraternidade impere nunca é demais perguntar a si mesmo:

Eu sei de minha importância dentro do contexto da sociedade?

Pensemos nisso.

O Espiritismo e a lei do trabalho.

O trabalho é uma lei natural; instituído por Deus para que haja o crescimento e progresso da espécie humana é a melhor terapia contra males das mais diversas naturezas; males estes que afligem a alma e refletem-se no corpo causando variados dissabores. Muitas doenças infiltram-se em mentes ociosas, que por conseqüência borbulham idéias negativas, criando um clima psíquico que facilita a instalação de inúmeros males.

Ao ler este parágrafo muita gente haverá de contestá-lo. Afinal, estão extenuados pelo acúmulo de atividades profissionais. Sonham com férias, o tão esperado momento de refazimento ao lado dos familiares. Como este articulista vem falar em mais trabalho se a ordem é descansar? A estes pedimos calma e indicamos a leitura da questão de nº 675 de O Livro dos Espíritos, onde os sábios do mundo invisível respondem a Allan Kardec que trabalho não se restringe apenas a atividade profissional que proporciona os dividendos no final do mês. Trabalho é toda ocupação útil. A leitura edificante, o auxílio ao enfermo, a visita ao amigo, a vinculação em serviços de filantropia... Trabalho é remexer o corpo, exercitar a mente.

A ciência comprova o que o Espiritismo afirmava há 150 anos: ocupações úteis são fundamentais à uma boa qualidade de vida. Há dois anos pesquisa da revista científica inglesa British Medical Journal informa: quem pára de trabalhar aos 55 anos tem risco 89% maior de morrer nos dez primeiros anos de aposentadoria do que quem se aposenta aos 65.

Prova de que trabalhar aumenta nosso tempo de vida no corpo físico!

O Espiritismo como ciência demonstra que mais do que não se aposentar, imperioso se exercitar, pensar, participar, atuar. Ocupando o tempo com coisas úteis não nos sobrará tempo para coisas inúteis, pensamentos desregrados e ações perturbadoras.

O mercado de trabalho também corrobora com este fato e na seleção de empregos dá preferência à pessoas que estão engajadas em atividades voluntárias, em intensa e contínua movimentação, ocupando seu tempo com utilidade e inteligência. Voluntários tendem a ter melhor desempenho, mais criatividade e disposição. Natural, afinal estão com as engrenagens do corpo e mente azeitadas, sintonizados com a realidade de dinamismo do mundo contemporâneo.


Não raro quem pouco se movimenta caminha desanimado, apático. Normal que assim seja, porquanto estes remam contra a maré da natureza do ser humano que pede constante movimentação. A sabedoria popular revela em seu verbo simples magníficas verdades ao proclamar: “Mente vazia é oficina do diabo”. Sabemos que este diabo é uma figura mitológica a representar as facilidades com que o ser humano se enreda nas paixões inferiores que são a causa de todo sofrimento humano. E o trabalho, a ocupação útil no dizer dos Espíritos, é o melhor remédio para impedir a construção mental negativa, fonte dos atos tresloucados praticados por quem se habitua a pouco ou nada fazer.

Em 1º de maio, dia do Trabalho, é importante refletirmos no significado dessa palavra pequena, porém de grande relevância para quem quer dar passos decisivos rumo ao destino glorioso reservado a nós por Deus. Evolução, só mesmo com trabalho, aliás, muito trabalho!

Pensemos nisso.