Receita de Chico Xavier





Wellington Balbo – Bauru - SP



Chico Xavier, o mineiro do século XX, notabilizou-se como um dos mais admiráveis cidadãos de nosso Brasil. Sua vida dedicada ao próximo, seu trabalho na mediunidade com Jesus, seus exemplos de renuncia e amor ultrapassaram as barreiras do movimento espírita. Chico foi um cidadão do mundo, respeitado por todos, admirado por muitos. Foram mais de 400 obras dos mais variados gêneros literários psicografadas por suas mãos. Chico foi a pena de Deus no consolo e instrução da humanidade. Seu nome é sinônimo de credibilidade, sua vida uma epígrafe de amor e luz. E justamente pela credibilidade transmitida pelo seu nome é que muitos se arvoram em absurdos, produzindo bizarrices e atribuindo ao médium mineiro. Li em jornal receita rotulada de: “Simpatia para emagrecer” – Chico Xavier.

Caro leitor e leitora, é verdade que Chico foi figura carismática e conquistava a todos com sua simpatia. Mas simpatia aqui no sentido de pessoa atenciosa, educada, fascinante e não escritor de simpatias. Ocioso este texto para o movimento espírita, porquanto todos sabem que no Espiritismo – doutrina professada por Chico – inexistem simpatias. O Espiritismo não prega simpatias ou receitas para emagrecer, arrumar namorado, esquentar o casamento ou ganhar na loteria. O compromisso do Espiritismo é com a educação da alma humana. Aliás, como espírita este também era o compromisso do médium mineiro. Mas este texto é importante para alertar aqueles que não são espíritas, mas admiram a figura de Chico. Caro leitor e leitora, o querido médium jamais psicografou receita para emagrecer ou qualquer outra simpatia. Não caia nessa, trata-se de enganação, conversa fiada, papo furado. O Espiritismo é a doutrina da razão, da coerência, da simplicidade.

Quer emagrecer, veja a melhor simpatia:

· · Caminhada e exercícios.

· · Alimentação balanceada.

· · Ingestão de líquidos.

· · Combate à gula.

Nada de milagres ou simpatias, mas sim trabalho. Aliás, o Espiritismo mostra que o trabalho é o melhor caminho para a conquista de nossos objetivos. Se você admira realmente Chico Xavier, faça a ele a seguinte homenagem: trabalhe pela sua melhoria como ser humano, combata suas imperfeições, respeite o semelhante e dignifique a vida. Dentro de uma bibliografia tão vasta legada pelo médium mineiro não compreendo como algumas pessoas podem divulgar bobagens em seu nome. Poderiam indicar seus livros, tais como: Há 2.000 anos, 50 anos depois, Ave Cristo, Vinha de Luz, entre outros. Mas não, preferem divulgar o que não condiz com sua imagem. Só há uma razão para isso: desconhecem completamente as realizações e a vida de Chico, porque se o conhecessem de fato saberiam que de simpatia na vida do médium há apenas a sua simpática figura.

Pensemos nisso.

O Espiritismo e a Lei Seca.

O mundo sofre com suas paixões de carnaval. A Lei Seca foi uma delas. No começo apenas flores: redução do número de acidentes e óbitos no trânsito. O bafômetro tornou-se o novo príncipe da vida, os motoristas temiam-no e por isso não abusavam do álcool ao volante. Hoje o bafômetro transformou-se em sapo, está esquecido, apagado pela miopia dos homens.
Números mostram esta triste realidade: no início da Lei Seca, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, os números de acidentes nas estradas reduziram-se em 13,6% em se comparando com os do mesmo período do ano de 2007. Nos três primeiros meses de vigor da lei houve uma redução de gastos com acidentes automobilísticos no Estado de São Paulo no valor de 11 milhões. Depois de alguns meses de vigência da lei e do afrouxamento da fiscalização, os números de acidentes no trânsito não apresentam mais redução tão acentuada, estima-se que caíram de 13,6% para 8%. A lei corre o risco de virar letra morta, esquecida, desprezada. Há várias razões para este desprezo. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, Guilherme Durães Rabelo, a Lei Seca é importante, porém, faltam mecanismos e condições para fazê-la funcionar. Exemplo clássico é a falta de bafômetros, o que impossibilita uma fiscalização mais rigorosa, então a lei cai em desuso.
Em minha opinião a lei vem perdendo força por um simples motivo, aliás, as pessoas elaboram grandes elucubrações sobre o ser humano e seus problemas quando tudo é muito simples: a Lei Seca transformou-se em letra morta porque as pessoas são deseducadas, indisciplinadas e despreparadas para o convívio social. Falta a todos nós, ou pelo menos a grande maioria, respeito ao semelhante. De nada adianta atacar o efeito se as causas não são combatidas. O indivíduo bebe e dirige porque não tem educação e respeito pela sua vida e do seu próximo. Falta-nos saber a real dimensão e importância da existência humana. Enquanto a humanidade pensar que a vida é somente gastar, comprar, passear e “bebemorar”, nenhuma Lei vai de fato emplacar. Embora ainda necessária, é tremendamente absurda a questão da fiscalização. Até quando ficaremos vivendo em um mundo em que todos devem ser fiscalizados para não cometer besteiras. A mulher fiscaliza o marido para que ele não adultere. O patrão implanta câmeras na empresa para vigiar os funcionários. A polícia serve-se de bafômetros para “educar” o motorista deseducado. Vivemos o mundo da fiscalização, da imposição, do medo, da medida imposta de cima para baixo. A mentalidade da fiscalização ainda perdura em nosso mundo porque não evoluímos a ponto de entrarmos no mundo da educação, ou melhor dizendo, o mundo da regeneração. A propósito, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” Santo Agostinho tece preciosos comentários sobre a natureza dos Espíritos habitantes dos mundos de fiscalização, ou melhor dizendo, mundos de provas e expiações:
“Que vos direi, que já não conheçais, dos mundos de expiações, pois que basta considerar a Terra que habitais? A superioridade da inteligência, num grande número de seus habitantes, indica que ela não é um mundo primitivo, destinado à encarnação de Espíritos ainda mal saídos das mãos do Criador. Suas qualidades inatas são a prova de que já viveram e realizaram um certo progresso, mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o indício de uma grande imperfeição moral. Eis porque Deus os colocou num mundo ingrato, para expiarem suas faltas através de um trabalho penoso e das misérias da vida, até que se façam merecedores de passar para um mundo mais feliz”.
A fiscalização é necessária para comandar indivíduos despreparados, ociosa e pouco eficaz para vigorar em mundo consciente. O medo e a imposição serão substituídos pela educação tão logo as pessoas conquistem consciência mais ampla da vida e suas leis. Quando isso ocorrer estaremos habitando mundos mais felizes. E prossegue Santo Agostinho mostrando-nos a natureza dos Espíritos habitantes dessas moradas mais serenas denominadas pela Espiritualidade de mundos de regeneração:
“(...) Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os felizes. A alma que se arrepende, neles encontra a paz e o descanso, acabando por se purificar. Sem dúvida, mesmo nesses mundos, o homem ainda está sujeito às leis que regem a matéria. A humanidade experimenta as vossas sensações e os vossos desejos, mas está isenta das paixões desordenadas que vos escravizam. Neles, não há mais o orgulho que emudece o coração, a inveja que o tortura e o ódio que os asfixia. A palavra amor está escrita em todas as frontes; uma perfeita equidade regula as relações sociais; todos manifestam a Deus e procuram elevar-se a Ele, seguindo as suas leis (...)”.
Chamo a atenção para o comentário do sábio Agostinho: “uma perfeita equidade regula as relações sociais”. Exatamente, em mundos mais felizes os habitantes adquiriram maior grau de consciência e por isso respeitam as leis em voga. Isso mostra que quanto mais nos adaptarmos as leis do universo, procurando respeitá-las e compreendê-las, mais felizes seremos, e, consequentemente melhoraremos o astral do mundo onde estamos vivendo, transformando-o para melhor.
No entanto, para isso é preciso começar a disseminar a cultura da educação mostrando às pessoas que o código de leis mais sábio está gravado na própria consciência. Para evitar desvios basta consultar a consciência. Ou seja, irei dirigir sóbrio porque isso é correto e não porque há lei impondo essa medida. O dia em que todos assumirem o compromisso para com a educação de suas tendências não mais será preciso fiscalizar, punir, multar. As leis então deixaram de ser paixões de carnaval e serão respeitadas integralmente por todos. Deixaremos, pois, o estágio de mundo de fiscalização para entrarmos no mundo da educação, ou, melhor dizendo, mundo de regeneração.

Pensemos nisso.

Wellington Balbo - Bauru - SP.

Ensino superior sem superioridade no ensino

Wellington Balbo - Bauru - SP.



O presidente da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil – de São Paulo, Luis Flávio D’urso, concedeu interessante entrevista abordando a qualidade do ensino nas instituições ofertantes do curso de Direito. O índice de reprova nos exames da Ordem está alto, demonstrando os parcos conteúdos daqueles formados na ciência do Direito. E, preocupado com o baixo nível dos cursos, disse o presidente D’urso sobre seus objetivos de auxiliar o fortalecimento das instituições que primam pela seriedade e fazem a opção do ensino com qualidade, mas também afirmou que não medirá trabalho para fechar aquelas instituições descomprometidas com as reais finalidades de um curso de Direito. D’urso utilizou uma frase interessantíssima para definir aquelas instituições irresponsáveis e preocupadas tão somente com suas finanças esquecidas do ensino com qualidade: “Estelionatárias do ensino”.

Hoje se percebe uma enorme proliferação de faculdades oferecendo cursos superiores para todos os gostos. Exigências do mercado que procura profissionais mais capacitados para o desempenho das funções. A lógica utilizada é simples: curso superior = maior conhecimento. No entanto, a teoria está cada vez mais distante da prática. Os cursos superiores, com exceções é verdade, oferecem apenas o diploma. O conhecimento, a formação de pensadores e o incentivo à pesquisa ficam relegados a quarto ou quinto plano. A razão: preocupação tão somente com os lucros em detrimento à educação, em uma dinâmica exposta da seguinte forma: as faculdades fingem ensinar, os alunos fingem aprender. O resultado está no mercado de trabalho: profissionais com pouquíssima capacidade e qualificação. Pessoas que desconhecem uma simples regra de três e não conseguem interpretar um pequeno texto.

Vários fatores concorrem para a baixa qualidade do ensino, mas há um fundamental, há um fator que alimenta extraordinariamente o aparecimento de faculdades fantasmagóricas: a grande procura dos alunos por diploma em detrimento ao conhecimento. Sim, são os alunos os alimentadores da máfia do ensino. São os alunos que procuram somente o malfadado diploma para atender as conveniências sociais. Estivessem os discentes certos do papel a desempenhar na sociedade e exigiriam mais das faculdades, dos professores, dos cursos em geral. Há excelentes professores, bem o sabemos, verdadeiros idealistas que lutam para construir um país de pensadores, é preciso, portanto, inteligência por parte dos alunos para aproveitarem mais e melhor os conhecimentos dos docentes. Os alunos devem cobrar das instituições, devem buscar conhecimento, devem ler mais, pesquisar mais, exigir mais do corpo docente e da instituição em que estão matriculados. Não podem aceitar enganação, precisam fazer um nivelamento por cima, pelo conhecimento. Ai fica a pergunta: como querer que os alunos cheguem bem à faculdade se lhes falta base, se o ensino é precário desde que entraram nos portões escolares. Como querer que estes alunos façam exigências se lhes falta capacidade para isso? Ainda neste caso a reviravolta pode ser dada. Se sabemos que a base é fraca e a educação está capenga, não podemos ficar mergulhados nesse contexto. Até quando ficaremos choramingando, como mimados, que é preciso investir na educação, qualificar os professores, modificar o ensino, erradicar o analfabetismo? O melhor caminho é mesmo o da iniciativa por parte dos alunos. Daí a importância de cada um buscar sua própria qualificação, cultivando hábitos como leitura e o estudo, pesquisando, debruçando-se sobre as palavras e apaixonando-se pelo mundo do conhecimento. Pode ser não venhamos a mudar a realidade da educação no Brasil, pode ser que as faculdades continuem a formar profissionais sem qualificação, pode ser ainda que a maioria das pessoas continue a se iludir com o tal do “diploma”, entretanto, é bom salientar que estaremos mudando nossa própria realidade, pois estaremos adaptando-nos à sociedade do conhecimento e habilitando-nos a maiores vôos no cenário profissional, pessoal e também espiritual. Por isso, a responsabilidade pela mudança no panorama da educação no Brasil está a cargo do aluno, principalmente do aluno de hoje que se matricula nas mais variadas instituições de ensino superior de nosso país. A este aluno cabe a responsabilidade de buscar algo além do diploma e também cobrar professores e faculdades para que o nivelamento seja por cima, pelo conhecimento, sempre, porque será assim que o ensino superior atingirá, de fato, os níveis de superioridade almejados por todos.

Pensemos nisso.

O mendigo no centro espírita

Wellington Balbo – Bauru -SP.


A noite estava exuberante, as estrelas cintilavam rendendo culto ao criador da Vida enquanto a lua mostrava sua incomparável beleza para aqueles que entravam no salão do centro espírita naquela encantadora quinta feira. Na data em questão seria proferida palestra por querido orador de outra localidade, por isso o movimento era intenso. Expectativa grande, alegria estampada nos semblantes dos dirigentes e freqüentadores, sinceros amigos do orador visitante. Seriam certamente momentos inesquecíveis que ficariam gravados na memória de todos os presentes.
A palestra tão aguardada iniciou-se. O orador, eloqüente como de costume, verve inflamada pelo ideal de servir, discursava em torno do amor e seus benefícios. Falava com maestria que a caridade está mais no gesto do que no fato, enfatizava a necessidade do amor espontâneo, sem cobranças e preconceitos. Convidava os presentes à exemplificação das lições do Cristo, mostrava com sua palavra as belezas do Evangelho. Emocionado, transmitia seus eflúvios à platéia que atenta, observava todos seus movimentos. Tudo transcorria dentro do previsto, mas eis a surpresa... um homem adentrou o recinto, maltrapilho, cabelos em desalinho e o semblante evidenciando os duros embates existenciais. Lágrimas desciam em profusão daquela triste figura humana demonstrando os inúmeros atropelos e desprezos que sofrera na vida. Dirigiu-se ao orador, pediu-lhe o microfone, a platéia ficou atônita, ninguém esperava por aquilo. Algumas pessoas levantaram-se e tentaram fazer o homem sentar, em vão, ele estava decidido a falar. O orador então demonstrando enorme sensibilidade e inspirado pela espiritualidade presente, passou-lhe o microfone. Foi um desabafo emocionante, falou sobre o distante sertão querido, lembrou-se da terna figura de sua mãe, discursou sobre a saudade, manifestou o desejo de voltar à terra natal e não se esqueceu de render homenagem à fantástica figura de Chico Xavier. A platéia assistia entre aturdida e surpresa as palavras daquele homem simples e maltratado pela vida que pedia apenas alguns minutos de atenção. Ao final de seu discurso o orador olhou-o com carinho, ambos tocados pela emoção abraçaram-se, encerrando de forma inesquecível aquela bela e encantadora noite de quinta feira no centro.

O centro espírita é universidade da vida que ensina o amor em seu mais amplo significado. O centro espírita é a casa aberta à comunidade, convidando todos à ceia da fraternidade. O centro espírita é o lar do afeto e benevolência para com o semelhante, local onde o amor expande-se em ondas de atenção, carinho e ternura. A diretoria do centro espírita poderia ter tomado atitude truculenta para com aquele inusitado visitante, retirando-o do local. O orador poderia ter se negado a passar-lhe a palavra, colocando fim à sua espontânea manifestação. No entanto, preferiram dar um voto de confiança a um ser humano que certamente costuma receber o desprezo quando não a repulsa dos outros. A espiritualidade comumente envia provas vivas para saber como está nosso comportamento, se estamos procurando aliar teoria e prática. Foi o que ocorreu na história narrada acima. Queriam saber se o orador e a platéia dispunham de tempo suficiente para ouvir alguém se apresentando de forma dura e pouco agradável aos olhos. Muito simples falar de amor, discursar sobre caridade, convidar às boas ações. Muito fácil respeitar a figura de alguém com posição social que se apresenta nos lugares de forma bem vestida, perfumada e esteticamente bela. Porém, mais complicado amar o andarilho, o indigente, o homem simples que pede alimento na porta de casa. Mais difícil amar o ser humano surrado pela vida, cuja imagem causa tristeza a nossos olhos. Todavia, forçoso admitir que se levamos vida embasada pelos ideais do Cristo não podemos esquecer que nossos irmãos mais necessitados são aqueles em penúria material ou mesmo moral, o mestre afirmou que os sãos não precisam de médico. É, pois, preciso amá-los realmente, dar-lhes atenção, dedicar-lhes carinho. Uma palavra, um gesto, um abraço trazem consigo forças inacreditáveis, são sementes atiradas ao solo que frutificarão em tempo oportuno. Talvez, quem sabe, ao receber atenção do público naquela casa de oração o inusitado visitante possa sentir-se amado e querido, e então terá forças para sacudir a poeira, dar a volta por cima e, mais importante, deixar a posição de pedinte para tornar-se trabalhador fiel e devotado à causa do Cristo. Afinal, nenhum de nós desceu para as lides terrenas fadados ao sofrimento, ao contrário, aqui estamos para o aprendizado e a evolução. Uma oportunidade concedida a quem está em dificuldade pode representar completa modificação em seu destino, transformando um panorama de dor e desolação em realidade pura e cristalina de ascensão espiritual.

Pensemos nisso.