A Pediatra e o Borracheiro

A mãe levava o casal de filhos à escola, e como era de costume, todos os dias iam trocando idéias sobre trivialidades durante o caminho.

Em cada sinaleiro um comentário, em cada esquina uma observação.

A mãe aproveitou o ensejo e perguntou à garota :

Qual profissão pretende seguir, minha filha?

A adolescente foi decidida em sua resposta:
- Quero ser pediatra, estou estudando para isso.

E, voltando-se agora ao filho ,a mãe questionou:

E você, meu filho, qual carreira pretende seguir?

A voz do garoto era forte e decidida.
- Quero ser borracheiro!

A irmã indignou-se:
- Você acha que mamãe esta pagando escola cara para seguires a profissão de borracheiro? Isso é um absurdo!

O garoto retrucou, e a discussão só não foi maior porque a mãe interviu pedindo calma a ambos.

Após o carro percorrer mais dois quilômetros, eis a surpresa. O pneu do veículo furou, impossibilitando a família de prosseguir com destino à escola.

Correram a olhar no estepe e o mesmo estava murcho.

A garota não poderia chegar atrasada à escola, naquele dia seria sua prova de matemática.

A saída foi recorrer ao disk borracheiro.

Após a chegada do borracheiro e 5 minutos de trabalho, o carro estava novamente em movimento levando nossos colegas ao destino...

A mãe comentou:
- Veja, minha filha, hoje tivemos a prova inconteste de que todas as profissões são importantes e concorrem para a organização da vida em sociedade, não fosse o borracheiro prestimoso e terias perdido sua importante prova de matemática. Não somos auto suficientes, a engrenagem do mundo se completa, tudo concorre para a harmonia do universo, as profissões são ofícios de Deus a auxiliar nosso progresso. Toda profissão tem grande importância em nossa sociedade, não há porquê haver menosprezo, não há razões para discriminações.

- Portanto, minha filha, não importa a profissão que exerças, o importante é que você dignifique-a, exercendo-a com amor e respeito ao próximo.



Tchau e Boa Prova!

Wellington Balbo - Bauru/SP

A pesquisa da revista Isto É e a juventude espírita

Wellington Balbo – Bauru/SP.

A pesquisa realizada pela revista Isto È, pertinente ao assunto juventude e sua relação com o Criador causou alvoroço no meio espírita. Alguns confrades levantaram-se contra a reportagem exigindo atitudes de reparação por parte da revista, outros, como o amigo de Londrina e editor da revista eletrônica O Consolador – ver www.oconsolador.com
Astolfo Olegário Filho, portaram-se de forma distinta e tocaram em ponto importante: a pouca instrução doutrinária desses jovens que se dizem espíritas, no entanto desconhecem os mais básicos princípios da Codificação kardequiana que é contrária a pena de morte e o aborto, este último consentido no caso de perigo para a vida da gestante.
Todavia, a pesquisa realizada pela revista é um assunto que se desdobra à novas frentes e raciocínios. O que mais nos chamou a atenção foi o baixo índice dos jovens que se dizem espíritas. Uma porcentagem pífia, irrisória, cerca de 1,4% dos jovens, segundo a revista Isto È se dizem espíritas. Ora, em realidade o número é bem menor, porquanto a qualidade de conhecimento doutrinário desses jovens inexiste, e inexistindo, naturalmente não podem ser espíritas.
Diante disso, surgem duas situações:
1º O número de jovens espíritas no Brasil é pequeno, o que demonstra a carência da divulgação espírita para essa faixa etária.
2º Estamos com dificuldade na transmissão das idéias espíritas. È preciso, sem dúvida, sermos mais claros e objetivos no que compete à comunicação espírita, principalmente para crianças e jovens. Uma pergunta: será que estamos repassando Kardec aos jovens que chegam aos centros espíritas? Será que os fundamentos kardequianos vêm sendo estudados com afinco e coerência pela juventude? É necessário, antes de mais nada, fazer uma real avaliação: os jovens de hoje não são os jovens de ontem, logo, se faz mister promover a divulgação das obras de Kardec de forma compatível à juventude de hoje, adaptando a divulgação aos novos tempos.

É uma questão prática e urgente: ou nos mobilizamos e fazemos um planejamento para a divulgação maciça e coerente do Espiritismo para a faixa etária envolvendo os jovens e crianças, ou corremos o risco de vermos os esforços de Kardec e dos filósofos da espiritualidade tardarem um pouco mais para serem implantados, adiando ainda mais o despertar da consciência humana para as realidades que vão além da efêmera existência física.

E neste tocante é grande a responsabilidade de quem esposa a tarefa de transmitir os princípios espíritas à crianças e jovens, porquanto serão os jovens os herdeiros do Espiritismo e responsáveis por levar adiante as lições da espiritualidade, sensibilizando, consolando, instruindo, esclarecendo...

Imperioso que os dirigentes espíritas reforcem o ensino espírita nos centros que estão sob sua coordenação, que ofereçam cursos de estudos e reciclagem para aqueles que se arvoram na sublime tarefa de se relacionar com os jovens e crianças. A Codificação deve ser respeitada e estudada, de forma simples, objetiva, dinâmica e atual. Importante falar a linguagem da juventude, demonstrando a aplicabilidade dos princípios espíritas no mundo em que estamos inseridos, dentro do contexto de mudanças e rápida evolução.

A grande questão é: não podemos falar de Espiritismo para os jovens de hoje como falávamos para os jovens de ontem porque as situações se apresentam de forma distinta e conforme as conveniências dos novos tempos. Não se trata de modificar a Codificação, nada disso. A sua base é irretocável, no entanto é preciso trazê-la para a atualidade, porquanto suas diretrizes são atuais e moldam-se as exigências do mundo contemporâneo. Este foi um dos grandes legados de Kardec: deixar a Codificação flexível e adaptável à realidade em que estão mergulhadas as pessoas.
Dentre as grandes virtudes do codificador estavam sua capacidade de comunicação e o espírito visionário que enxergava além de seu tempo, essas virtudes deixaram o campo aberto para as novas gerações, ou seja, o Espiritismo não anda engessado ao século XIX, mas aberto às perspectivas e situações do século XXI e seus posteriores. Portanto, importante fazer uma leitura da pesquisa realizada pela revista e utilizá-la como elemento para planejamento de atividades doutrinárias, pois, do contrário, o Espiritismo corre sério risco de ficar ainda mais afastado dos jovens e crianças.
Pensemos nisso.

Você sabe o que seu filho faz na internet?

Wellington Balbo -Bauru – SP.


A advogada especialista em Direito Digital Patrícia Pinheiro concedeu notável entrevista à TV Senado, abordando questões pertinentes à internet e aos crimes cometido na rede de computadores.

O advento da internet quebrou barreiras geográficas e culturais simbolizando novos rumos sociais, econômicos, atingindo também os meios jurídicos. Muitas pessoas, porém, ignoram que há crimes na internet e agem de forma imatura, diríamos até que irresponsável ao presentear seus filhos com os novos equipamentos sem orientá-los na forma coerente e ética de se portar digitalmente.

Os benefícios ofertados pela tecnologia devem servir para facilitar a vida, jamais complicar, no entanto, o uso indiscriminado dessas novas formas de comunicação baseado pelo desconhecimento e pela falta de instrução e esclarecimento pode trazer grades dissabores.

Significativo exemplo narrado pela advogada ilustra com propriedade essa realidade:

Em cidade do interior de nosso Brasil uma criança de 9 anos foi presenteada pelos pais com polpudo aparelho celular, com todas as parafernálias que a tecnologia proporciona.

O garoto, sem instrução e esclarecimento, levou seu aparelho celular na escola. Enquanto a professora explicava a matéria ele e mais alguns amigos utilizam o aparelho para tirar fotos das roupas íntimas das colegas de classe mais desatentas.

Depois da aula os garotos reuniram-se na casa de um amigo mais velho e disponibilizaram as fotos das roupas íntimas das garotas em conhecido site de relacionamentos, expondo-as ao ridículo não apenas ao Brasil, mas a todo mundo, porquanto a internet tem esse poder de quebrar as barreiras geográficas.

Obviamente que as vítimas e seus pais não ficaram nada contentes com tal invasão, tomaram atitude drástica que envolveu também a direção da escola, enfim, estava estabelecida uma briga infindável por pura falta de informação e esclarecimento por parte dos pais, que deveriam ser os responsáveis em orientar os filhos nessas questões que envolvem, sobretudo, a educação digital de seus rebentos.

Diante do relato da advogada, fica-nos alguns pontos a considerar:

Com as novas tecnologias que imprimem novos costumes, os pais devem estar atentos e conectados ao mundo virtual.

Antes dizíamos a nossos filhos: Não aceite nada de estranhos. Hoje é preciso dizer também: Não aceite e mail de estranhos.

Antes dizíamos a nossos filhos: Cuidado com suas amizades. Hoje temos que acrescentar: Cuidado com suas comunidades.

Antes dizíamos a nossos filhos: Você deve ter uma vida pautada em valores éticos. Hoje não podemos esquecer de afirmar: Você deve ter uma vida pautada em valores éticos, morais e digitais.

As novidades que apresentam o mundo moderno não podem estar ao alcance apenas dos filhos, os pais também necessitam se modernizar antenando-se com a realidade de evolução ditada pelo mundo contemporâneo, de modo a facilitar as formas de comunicação com os filhos, para que assim possam esclarecer a maneira correta de proceder diante da enxurrada de novidades advindas da evolução humana.

Ora, se compramos a nossos filhos celulares para controlar seus passos, de bom alvitre que os ensinemos as formas coerentes e sensatas de utilizar esse celular, de modo a não causar constrangimentos aos outros e dores de cabeça a nós mesmos.

Em todas as instâncias da vida a educação recebida no seio familiar será sempre a bússola que orienta o caminho dos filhos. Se cedemos aos apelos da tecnologia, importante também darmos aos filhos os subsídios da educação, para que a tecnologia se transforme em ferramenta de inclusão e transformação, e não em aguda dor de cabeça que pode se estender anos a fio por culpa de nossa negligência.

Pensemos nisso.

Amélie Gabrielle Boudet e Professor Rivail...

Wellington Balbo – Bauru – SP.



As pessoas são sonhadoras no que concerne à relação afetiva. As histórias em quadrinhos e os desenhos representam com perfeição a ânsia humana na busca pelo par perfeito. A Cinderela que se encontra com o príncipe a vestir-lhe os sapatinhos da felicidade. A Branca de Neve que dorme no aguardo do herói que, intrépido, a salva da bruxa malvada. São sonhos, muitos sonhos...

Todos querem a felicidade e alegria proporcionada pelo príncipe ou princesa. Todavia, cogitamos da felicidade para nós, mas, e o outro. Será que cogitamos de fazê-lo feliz? Será que buscamos alegrar seus dias? Compreender suas limitações e apoiá-lo em suas iniciativas?

Novamente o famoso egoísmo humano a nortear as atitudes. Cogito de ser feliz, mas não de fazer o outro feliz. Muitos informam que a causa de sua infelicidade é o marido ou a esposa, considerando-se algemados pelo antigo amor, hoje temível carcereiro. Pedem separação, a convivência está sufocante. E saem intrépidos em busca do novo amor, talvez, quem sabe, a alma gêmea. Não raro encontram novas decepções, porquanto querem encontrar o outro não para evoluir juntos, mas sim para sanar seus dilemas íntimos.

Poucos se atentam para a realidade: nosso objetivo na peregrinação terrena é a evolução como espíritos imortais que somos. A felicidade afetiva e conseqüente harmonia interior no tocante aos sentimentos está subordinada, principalmente, a nossa postura perante a relação. Se procurarmos olhar na mesma direção de quem está do nosso lado teremos dado grande passo em busca da relação afetiva sadia, sem cobranças descabidas e ciúmes doentios. Quando os olhos dos cônjuges estão focados num nobre objetivo comum, as dificuldades não atrapalham, ao contrário, tornam-se temperos a unir ainda mais o casal. Muitos casais depositam a culpa do declínio da relação nos problemas financeiros. Nada disso, embora as finanças decaídas possam trazer apoquentação ao casal, nada pode superar o olhar na mesma direção.

E nessa questão que envolve o olhar dos cônjuges na mesma direção importante salientar a relação de Amélie Gabrielle Boudet e Allan Kardec. Nove anos mais velha do que o professor Rivail, Amélie Boudet esteve em todos os momentos ao lado do marido na tarefa da Codificação do Espiritismo. A diferença de idade não atrapalhava, porquanto ambos estavam com os olhos na mesma direção. O casal francês também enfrentou problemas financeiros, mas superaram, os olhos estavam na mesma direção. Enquanto o professor Rivail trabalhava na contabilidade de algumas casas comerciais, sua esposa preparava cursos gratuitos que ambos ministravam em sua própria residência. Uma real demonstração de que a missão daquele valente casal estava ligada indelevelmente à educação.

A tarefa da Codificação Espírita foi espinhosa, Kardec foi vítima de calunias, mentiras e ingratidões, mas a esposa estava do seu lado. Ambos evoluíam juntos, apesar das dificuldades da caminhada, olhavam na mesma direção. No mundo contemporâneo muitas relações se deterioram porque há uma inconveniente competição entre o casal. Discussões infindáveis onde um quer ser melhor, mais capaz, mais inteligente do que o outro. Imagine, caro leitor, que um casal, amigos de meus amigos, separaram-se porque a esposa tem um salário maior que o do marido, e ele, machista incorrigível não admite tal “afronta”. Amélie Boudet e seu esposo não competiam um com o outro, antes se admiravam e por isso apoiavam-se, buscando juntos a evolução, olhando, portanto, na mesma direção.

Ou encaramos o matrimônio como abençoada oportunidade de evolução, ou viveremos em constante praça de guerra com nossos “amores”, e se assim for, é melhor esquecermos o matrimônio e esperar nosso retorno aos Céus para os braços de nossa alma gêmea. No entanto, como sabemos que almas gêmeas no sentido de metades eternas não existem, ficaremos sós, aguardando a oportunidade de recomeço nos palcos do mundo, para então, quem sabe, aprender a compreender e encarar o casamento como importante cadinho depurador de nossas próprias imperfeições.

Pensemos nisso.

No Espiritismo, nada de hieróglifos!

Wellington Balbo – Bauru – SP.

A civilização egípcia era detentora de vasta cultura e foi a criadora da escrita hieroglífica egípcia que teve seu aparecimento por volta do ano 3000 antes de Cristo. Importante ressaltar que a escrita teve papel fundamental no desenvolvimento humano na Terra. Hieróglifo, palavra que significa sinais sagrados, era uma linguagem portadora de muitos segredos com forte cunho religioso, a representação dos hieróglifos ficava a cargo dos intelectuais do antigo Egito, denominados escribas, portanto, essa forma de comunicação não era acessível ao restante da população. Mais de 7 centenas de figuras eram utilizadas para descrever os hieróglifos. Como você pode perceber, caro leitor, a questão que envolve a elitização do conhecimento e sua manipulação por parte das classes dominantes é um fenômeno que ocorre desde as mais distantes civilizações. Os hieróglifos ficaram registrados em tumbas e catacumbas, contudo, com o desaparecimento dos escribas, as chaves para abrir essa forma de comunicação estavam trancafiadas. A abertura da porta para decifrar esse enigma chegou apenas 1500 anos depois, e abri-la coube ao professor francês Jean-François Champollion (1790-1832). Champollion tinha apenas 12 anos quando resolveu iniciar romper com o enigma dos hieróglifos, onze anos depois o francês decifrou o primeiro hieróglifo.
Entretanto, hoje os tempos são outros, as escrituras e documentações já não são feitas com hieróglifos, a evolução humana tratou de democratizar a comunicação, mostrando, inclusive, que o progresso se faz também através de uma comunicação eficaz. Comunicar-se bem é um grande diferencial para o sucesso. No entanto, ainda há alguns desencontros quando fala-se em comunicação. Muitos não compreendem seu sentido e julgam que a comunicação se constitui apenas em falar, enviar e mail, ou transmitir algum recado. Importante considerar que o ato da comunicação vai além dessa estreita visão, tornando-se tão fundamental quanto respirar ou alimentar-se.
A falta de comunicação, ou a má qualidade na comunicação é responsável por grandes desentendimentos no seio da sociedade em todos os seus quadrantes. Casais que brigam interminavelmente porque ambos não conseguem uma boa qualidade na comunicação e organizações que não raro têm grandes prejuízos porque seus membros não souberam praticar a comunicação eficaz são alguns dos exemplos que podem ser citados. A propósito, dia desses na cidade de Bauru, um incidente ocorreu em organização porque não houve comunicação entre as pessoas. O gerente geral pediu para que fosse colocado fogo no terreno ao lado, que também pertence à empresa, porém, não avisou ninguém. O supervisor coincidentemente passou pela empresa naquele final de semana, vendo o fogo tomou a iniciativa de apagá-lo. Resultado: uma grande perda de tempo porque o fogo não era para ser apagado. No caso em questão os prejuízos não foram tão grandes, mas poderiam ter sido. Lembro também de farmacêutico que leu o receituário do médico errado, neste caso o resultado foi dramático, ocasionando a morte da criança que tomou grande dose do remédio. Infelizmente a má comunicação pode sim trazer prejuízos incalculáveis.
Portanto, no que tange a este assunto, imprescindível que a boa comunicação também seja aplicada no Centro Espírita, entre seus participantes e freqüentadores. Dia desses, levei um primo católico para assistir palestra em um centro espírita na cidade de Bariri. No meio da palestra fiz uma citação de Santo agostinho, o primo católico disse: “Puxa, não sabia que vocês espíritas acreditavam em santo”, foi então que percebi a necessidade de tomar maiores cuidados ao transmitir uma idéia, para que o receptor, no caso os ouvintes da palestra não tenham uma noção equivocada dos princípios do Espiritismo.
O mesmo se aplica aos escritores espíritas. As palavras devem ser escritas de forma clara, simples e objetiva, tendo como base sempre a codificação do Espiritismo. Nada de hieróglifos, o Espiritismo necessita de ser popularizado. Assuntos que tratam de outras religiões devem ser motivo de maiores cuidados, para que o leitor não tenha a idéia de que o Espiritismo é uma religião que segrega ou promove o preconceito. Digo isto porque dia desses li um artigo espírita com a seguinte informação do autor: “Não conheci ninguém que tenha estudado o Espiritismo e não tenha se rendido aos seus ideais libertadores, mudando, pois, de religião.” Afirmações desse quilate podem gerar a idéia de preconceito ou pretensa superioridade, fechando a tela mental do leitor e transmitindo um conceito negativo do Espiritismo. Polarizar em todos os sentidos é extremamente perigoso. Daí a necessidade do cuidado para abordar questões delicadas.
Expositores, oradores, dirigentes e escritores espíritas devem estar antenados quanto a necessidade da boa comunicação. Como já citado, nada de hieróglifos, nada de linguagem ininteligível. Os próprios espíritos que auxiliaram Kardec na codificação usaram uma linguagem acessível ao nosso estágio evolutivo. Imagine se eles – os Espíritos – houvessem se utilizado de termos não conhecidos por nós, numa linguagem rebuscada sem compromisso com a boa comunicação. No entanto, o advento da codificação foi realizado de forma clara e objetiva, tanto por parte dos sábios da Espiritualidade, quanto por parte do professor Allan Kardec.
Um exercício importante a ser feito é colocar-se na posição do leitor ou daqueles que vão ao centro espírita ouvir palestras. O segredo é ser honesto consigo mesmo e analisar se as colocações não podem ser interpretadas de forma equivocada. As pessoas são dotadas de capacidade de interpretação diversa, e esta capacidade de interpretação, muitas vezes está vinculada ao momento que elas estão vivenciando, por isso é de suma importância que as colocações do escritor ou orador espírita sejam coerentes, compatíveis com o bom senso tão pregado pelo Codificador.
Uma comunicação eficaz por parte dos espíritas tornará o Espiritismo acessível a todos cumprindo seu papel de confortar e instruir, de modo a colaborar para a reforma moral de nosso planeta, e para isso nunca é demais salientar: no Espiritismo, nada de hieróglifos!

A literatura espírita infantil

Wellington Balbo – Bauru – SP.

É gigantesco o compromisso que o Espiritismo tem com a sociedade e sua reforma moral. Em um mundo que atingiu patamares de evolução tecnológica extraordinários, urge fazer com que a conduta moral do ser humano se equipare aos níveis de evolução tecnológica descortinados pela ciência.
Kardec na Revista Espírita de 1860 (p.320) afirma que um dia o Espiritismo exercerá grande influência sobre a estrutura social, porém, assevera o Codificador que este dia está distante, porquanto há a velha disposição humana à acomodação, deixando reinar em si o homem velho, o que impede de florescer o homem novo. Talvez ainda demore algumas décadas, ou mesmo séculos, para que a humanidade venha assimilar plenamente lições que falam do amor ao próximo e do significado de combater as imperfeições para que se conquiste a paz interior.
Diante da afirmação de Kardec cresce a responsabilidade do Espírita, porquanto seu compromisso não se limita tão somente ao centro espírita, mas sim, a toda sociedade. Daí a necessidade do estudo constante das obras da codificação para que a transmissão das idéias espíritas sejam claras e objetivas, e possam assim encontrar eco na sociedade. Dentro deste contexto de transmissão das idéias espíritas importante observar a questão da qualidade em transmiti-las. Ora, qualidade equivale à competência, forçoso, então, admitir que o ideal do Espiritismo deve ser transmitido por alguém que tenha competência para tal tarefa. E a competência para realização desta tarefa que agregará valores à sociedade só se faz com estudo e pesquisa avalizados pelo esforço em conhecer e praticar Kardec. E para conhecer Kardec não é necessário qualquer diploma ou rótulo, mas sim o estudo sistematizado de sua obra.
Todavia, há atalhos que podem fazer chegar mais rápido o Espiritismo à sociedade. O caminho, sem dúvida, está no plantio do ideal espírita nos pequenos corações infantis. Imperioso, portanto, que o dirigente espírita faça uma reflexão e veja se a instituição sob sua coordenação privilegia o ensino espírita às crianças. Importante que o dirigente espírita observe se as crianças e jovens freqüentadores da casa espírita sob sua responsabilidade estão interessados na literatura espírita infantil. A questão é de definir objetivos para a divulgação espírita às crianças e jovens. A pergunta é:
Quem fará o futuro da sociedade?
A resposta é simples: as crianças. Logo, imprescindível presenteá-las com livros espíritas infantis de boa qualidade.
O escritor espírita Adeilson Salles concedeu entrevista ao site O Consolador – www.oconsolador.com e discorreu sobre a importância da divulgação espírita às crianças e jovens. O autor possui diversos livros espíritas para o público infantil e deixou interessante mensagem, que transcrevemos parcialmente: “Não haverá regeneração sem educação. Pais e educadores espíritas, criem salas de leitura em suas instituições, abram espaço para a literatura infantil em suas Casas Espíritas. Mais do que isso, que se montem bibliotecas infantis”.
Cabe a nós, espíritas, pais, educadores, tomarmos ciência de que a humanidade necessita mais do que nunca do esclarecimento proporcionado pela mensagem espírita para que o mundo melhore, seja mais justo e fraterno. As crianças são terrenos férteis para a germinação do ideal espírita. O caminho é trabalhar nos pequenos corações para que pereça o homem velho, simbolizado pelo egoísmo e floresça o homem novo, simbolizado pelo amor ao próximo.
Adeilson Salles estará lançando mais livros para a literatura infantil, quem quiser contatá-lo para maiores informações, seu e mail é: adeilsonsalles@yahoo.com.br

O Espiritismo e o mundo empresarial.

O Espiritismo foi codificado por Allan Kardec no efervescente século XIX, em França, e a Revolução industrial também se estendeu ao território francês no mesmo século, haja vista que seu início ocorreu no século XVIII em Grã Bretanha. Ambos cresceram praticamente juntos, mas tomaram caminhos distintos. Tomaram caminhos distintos é verdade, mas podem e devem se encontrar. Sim, o Espiritismo pode desembocar nas empresas, porquanto há muito que ensinar para elas. E a recíproca é verdadeira, o mundo empresarial também tem muito que ensinar, não ao Espiritismo, mas sim aqueles que fazem o Espiritismo, ou seja, os espíritas. O Espiritismo vicejou com maior abundância em terras brasileiras e suas idéias proliferaram-se nos mais diversos meios sociais. Contudo, forçoso admitir que as idéias espíritas ainda não ganharam corpo no mundo empresarial. O confrade Alkindar de Oliveira é um dos que percorrem o mundo das organizações levando com propriedade as idéias espíritas, que tem como alavanca moral as Leis do Cristo. Mesmo que implicitamente divulgadas sob as linhas traçadas pelo confrade Alkindar, as empresas vão se atentando para as novas necessidades, valorizando o ser humano e delineando metas em conjunto, para que ambos, empresa e colaboradores, possam evoluir.
No entanto, é preciso admitir que o mundo empresarial também tem a oferecer aos espíritas. As empresas existem para gerar lucros e produzir riquezas. O mundo empresarial busca resultados, ou seja, maiores lucros para que as empresas possam permanecer em um mercado globalizado.
Da mesma forma que as organizações podem se encontrar com os ideais do Espiritismo balançando as bandeiras da fraternidade, do respeito mútuo, do amor ao próximo e da justiça, os espíritas podem se encontrar com os objetivos das organizações e balançar as bandeiras dos resultados. Mas de que forma seriam mensurados esses resultados? Caro leitor, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), temos hoje, no Brasil, cerca de 2,3 milhões de pessoas que se declaram espíritas. Um número pequeno, que reflete um desconhecimento da população em torno do Espiritismo. E ainda se faz mister acrescentar que, alguns confundem a doutrina codificada por Kardec com as religiões afro brasileiras, porque têm elas também em suas diretrizes a comunicação entre os planos material e espiritual. É comum a clássica pergunta: “Mas você é espírita kardecista?” Ou, “O Centro Espírita que você freqüenta é de mesa branca?”. Ora, o espírita naturalmente é kardecista, falar em espírita kardecista é o mesmo que dizer subir para cima ou descer para baixo. E a questão da mesa branca, os conhecedores da doutrina codificada por Kardec sabem que as cores das mesas em nada implicam. Ou seja, as organizações podem ensinar a questão do marketing aos espíritas, uma forma eficaz de fazer com que as lições da espiritualidade tão bem captadas por Kardec e seus colaboradores, alcancem um maior contingente de pessoas. O mundo empresarial também pode ensinar aos espíritas a importância da excelência da qualidade no atendimento. As empresas procuram suprir as necessidades de seus clientes, por isso desdobram-se e tentam de todas as formas aperfeiçoar o seu atendimento. Os espíritas também devem primar pela qualidade no atendimento aos que procuram o Centro Espírita. Não me refiro a qualidade no quesito fraternidade, mas me refiro a qualidade no quesito informações espíritas, porquanto as lições do Espiritismo, se bem transmitidas serão mais facilmente assimiladas e, sendo bem assimiladas certamente irão suprir as necessidades daqueles que procuram o Centro Espírita. Observe, caro leitor, a palavra foi necessidade e não vontade. As vontades navegam ao sabor dos caprichos, muitas vezes inúteis e superficiais. As necessidades não, haja vista a pirâmide das necessidades traçadas por Maslow, um psicólogo que viveu no passado. Mas o resultado buscado pelo espírita se resume a isso, a fazer a divulgação do Espiritismo e buscar suprir a necessidade daquele que se encaminha ao Centro Espírita? Não, obviamente que não. O resultado mais importante a ser buscado pelo espírita e traçado como objetivo fundamental para a sua vida é: a tão decantada questão da reforma íntima. Sim, as empresas podem ensinar os espíritas a buscar o resultado de sua transformação interior. Como as empresas buscam a maximização do lucro para crescer e permanecer no mercado, o espírita pode buscar a melhoria íntima para crescer e permanecer gozando de inefável paz de consciência, própria das criaturas que empreenderam esforço para buscar um resultado duradouro que as farão grandes administradores de sua vida.


Wellington Balbo – Bauru - SP

Espíritas, Católicos, Evangélicos, Budistas, Maometanos...


João estava palestrando em um Centro Espírita no interior do estado de São Paulo quando foi interrompido por distinta senhora que pediu a palavra e disse:

- Sou católica e não deixarei de ser, porém, estou vindo as palestras no Centro Espírita motivada pela minha filha, antes de conhecer o espiritismo ela era rebelde, intransigente e mal educada, após conhecê-lo, ela esforça-se por modificar suas atitudes que tanto mal geravam em nossa família.

- Por minha vez, quis conhecer essa Doutrina que tanto bem vem nos fazendo e cá estou...

O depoimento da senhora deixa claro de como podemos dar testemunhos favoráveis da crença que abraçamos - seja ela qual for.

Muitas vezes não atentamo-nos para os sagrados caminhos que a religião nos mostra e peregrinamos desligados de suas sublimes lições atrelando-nos ao fanatismo.

Espíritas, católicos, evangélicos, budistas, maometanos, todos sem exceção somos filhos de Deus, devemos ter respeito e consideração pelas demais crenças pois estas são afluentes do Alto a nos conduzir aos caminhos do Bem e da Virtude.

No fato acima citamos duas magníficas lições:

A filha que compreendeu os propósitos da Doutrina Espírita e os vivenciou em plenitude, renovou-se intimamente modificando suas atitudes que não eram compatíveis com os princípios da convivência fraterna.

A religião deve servir para nos transformar em seres humanos melhores, trazendo a tona a centelha divina que desperta-nos do sono da indiferença para com as limitações que caracterizam nossa maneira de ser.

A mãe que não impôs suas idéias, antes, compreendeu, apoiou e aplaudiu a filha mesmo ela não professando sua religião.

Demonstrou que radicalismo em nada auxilia.

Abriu sua mente as idéias novas que lhe chegavam, vacinou-se contra o fanatismo e pôde analisar a situação com lucidez e bom senso.

Ampliou seus horizontes!

Ganhou a mãe em aprovar o que fazia bem a filha e conseqüentemente a família.

Ganhou a filha em assimilar fielmente a nova religião que se dispusera a seguir.

Uma história, dois belos exemplos a serem seguidos por: Espíritas, Católicos, Evangélicos, Budistas, Maometanos...


Wellington Balbo
Bauru - SP