A USE e sua tarefa

Wellington Balbo - Bauru - SP.


A sigla USE significa: União das Sociedades Espíritas. A própria definição diz que o papel principal da USE em relação aos centros espíritas é servir de elo para o intercâmbio entre eles e o conseqüente fortalecimento e união do movimento espírita.

São apenas três letras que se bem compreendidas significam a sementeira da união e do trabalho em conjunto no cenário espírita.

E justamente a intenção da USE é ser mediadora das experiências que todos enfrentamos em nossas participações nas atividades desenvolvidas nos centros espíritas. Interessante, pois vai justamente ao encontro do que pede o mundo contemporâneo: trabalhar em grupo. E para trabalhar em grupo é necessário saber ouvir, respeitar e dividir experiências.

Experiências que, aliás, enriquecem a jornada humana e merecem ser partilhadas. Experiências e idéias quando são divididas agregam enorme valor, porquanto a dúvida de um pode ser respondida pela vivência do outro, ou a solução para um desafio que enfrenta determinada instituição pode ter resposta nos conhecimentos de outra Casa. Eis a dinâmica da vida: dividir para enriquecer! Porque é também trocando experiências e vivências que conseguiremos galgar degraus na escalada evolutiva.

Portanto, engana-se quem pensa ser a USE entidade fiscalizadora das atividades desenvolvidas pelas Casas Espíritas. Ela – USE - é fruto do esforço e empenho do movimento espírita e tem caráter democrático, jamais ditador. Seu objetivo é servir, porque o mestre assim recomendou. Mas para que cumpra fielmente seu objetivo é necessário que se faça entendida e compreendida pelos centros espíritas e suas lideranças. Daí a relevância do presente editorial, pois afirma que a USE está disposta a atuar servindo, colaborando, auxiliando e, sobretudo, interagindo.

Aliás, como instituição fiel aos princípios trazidos pela espiritualidade e tão bem codificados pelo notável pedagogo francês, a USE respeita a liberdade de ação dos centros espíritas, orientando-os sempre a caminhar ao lado de Jesus e Kardec.

Entende-se também que a atuação da referida instituição está vinculada à postura dos dirigentes espíritas. Quanto mais empenhados em cumprir as dignas tarefas propostas pelo Espiritismo, mais forte a USE e, consequentemente, mais ativo o movimento espírita da região onde estão inseridos.

Portanto, está explícito que UNIÃO e TRABALHO são palavras de ordem, porque somente trabalhando unidos alcançaremos o objetivo de divulgar com fidelidade a Doutrina Espírita.

Eis aqui duas magníficas forças a disposição de todos para a construção de um movimento espírita forte: União e trabalho. União que significa nossa interação com os membros de outras Casas Espíritas. Trabalho que significa o empenho em disponibilizar nossas habilidades para a realização de tarefas na seara espírita.

A USE, pois, pretende servir às Casas Espíritas divulgando a importância da união e do trabalho, porquanto assim cumprirá com excelência o seu papel de conectar os centros espíritas na gratificante missão de levar ao mundo a clara mensagem deixada pelo Cristo e tão bem explicada por Allan Kardec.

Culpa de Deus?



Texto extraído do livro Memórias do Holocausto do Espírito Rudolf e os parceiros Arlindo Rodrigues e Wellington Balbo


O jovem que tentara ser artista sem sucesso tinha ferocidade pelo poder; embora austríaco, tornou-se fervoroso nacionalista germânico, serviu na primeira grande guerra no exército alemão e foi condecorado com duas medalhas por bravura.

Astuto, considerado por alguns historiadores como um dos maiores oradores da história humana e dotado de enorme poder de persuasão, logo conseguiu seu intento de conquistar o poder.

A segunda grande guerra começava, sob sua batuta a Alemanha subjugou povos conquistando territórios em grande parte da Europa e Norte da África. Campos de extermínio foram construídos, organizados como grande empresa, corpos catalogados e minuciosamente verificados com a finalidade de achar objetos de valor, tais como: alianças, obturação dentária, anéis...

Homens, mulheres e crianças eram transportados em vagões de gado e atirados à câmera de gás; após o extermínio seus corpos eram utilizados para fazer sabão.

Adolf Hitler, o fanático líder germânico, foi o responsável por uma das páginas mais tristes da história da humanidade. Seus ideais lunáticos, embasados na macabra idéia de superioridade da sua raça, o levaram a perseguir ciganos, russos e em especial judeus. Foram mais de trinta milhões de pessoas massacradas sob sua responsabilidade.

Em 1945 acabou suicidando-se.

Indignados, alguns chegam mesmo a questionar: onde andava Deus que permitiu tamanha atrocidade?

Deus andava no lugar de sempre, a olhar por todos nós.

É a famosa tendência humana de se livrar das responsabilidades.

Hecatombes acontecem. Culpa de Deus!

Crimes pululam por todos os cantos. Onde estava Deus que permitiu absurdos?

Crianças morrem de fome. Injustiça Divina!

O homem, ser pensante da criação, passa incólume diante de suas criações, imaturo, deposita o débito de seus feitos doentios em Deus.

Fácil colocar a responsabilidade dos desmandos cometidos pela insanidade humana, comandada por cérebros intoxicados pelo fanatismo e vaidade, em Deus.

Mais complicado é admitir nossa responsabilidade sobre os problemas e acontecimentos que afligem nosso planeta.

Admitir que somos falhos, que nos equivocamos e que devemos nos reformar intimamente requer uma boa dose de humildade. E humildade é virtude difícil de encontrar, por isso, freqüentemente reporta-se a Deus como principal responsável pelas dolorosas situações vivenciadas.

É mais prático e rápido: Culpa de Deus!

Quando nos dermos conta de que podemos transformar a história de nossa vida e de tantos outros ao mudar nossas disposições intimas, assumindo compromissos com nossa consciência, veremos que: a criação de Deus é a vida, o amor, a plenitude...

A missão do homem é dar qualidade à vida que Deus, por amor, lhe concedeu.

Fome, violência, abuso de autoridade, devaneios, guerras, limitação da liberdade alheia, são filhos do egoísmo humano, jamais do Divino Pai.

Contudo, o Amoroso Pai faz brotar do charco humano a flor divina.

Os corpos são mutilados, todavia, os Espíritos, estes voltam à pátria real obedecendo ao incessante vai e vem evolutivo. Findou-se apenas a matéria, o invólucro; a essência, esta continua viva, imortal, superando atrocidades, devaneios, absurdos...

Por bondade divina, ressurgimos em novo corpo para dar continuidade em nossa marcha rumo à gloriosa destinação a que fomos criados.

O misericordioso Pai faz da destruição sublime transformação.

Em O Livro dos Espíritos – Lei de Destruição –, questão de nº 728, Kardec questiona os mentores que o assistem na obra da codificação:

P – 728 – A destruição é uma lei natural?

R – É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. O que chamais destruição é apenas transformação que tem por objetivo a renovação e o melhoramento dos seres vivos.

Acaba-se a vida física, continua a vida espiritual; nem a mais poderosa bomba, nem o mais ardiloso criminoso, nem o mais engenhoso plano trará a morte para um filho de Deus.

Somos criaturas fadadas ao bem. Mentes poderosas, inteligências voltadas ao mal, têm apenas o coração adormecido para o amor; cedo ou tarde, figuras que fizeram a tristeza de muitos, como Nero, Hitler, Calígula, acordarão de seus delírios e farão indubitavelmente a alegria de muitos, restituindo tudo aquilo que um dia ousaram usurpar por livre e espontânea vontade.

Quem outrora fez chorar, no futuro certamente fará sorrir!

Deus, o Pai de infinito amor, deixa sempre a porta aberta para que seus filhos transviados da estrada da virtude e da verdade encontrem o caminho de volta à Casa do Pai.



Wellington Balbo

Quando a música salvou uma vida...

O restaurante, geralmente apinhado de gente em busca de distração, naquele dia estava vazio. Talvez porque fosse final do mês, época de pouca circulação de dinheiro, ou então porque o tempo permanecia nublado avisando que a chuva não tardaria. Enfim, a realidade é que se encontravam no local apenas o músico, contratado para distrair os fregueses e, naturalmente, os garçons e cozinheiras. Portanto, nada de clientes.
O músico, mesmo sem a platéia para aplaudir começou seu show, a fim de alegrar seus colegas: garçons e cozinheiras.
Eis que atraído pela melodia do violão do artista surge um senhor e senta-se à mesa, passando a acompanhar o repertório de músicas.
No começo, tímido, apenas ouve. No entanto, após alguns minutos, contagiado pelos embalos agradáveis do violão o solitário freguês inicia sua cantoria. Batuca com o palito de dentes, repete refrões e, empolgado, ensaia alguns passos.
As horas transcorrem neste compasso, com o solitário freguês entregue à sublime arte da música.
Eis que o músico executa a derradeira melodia e o solitário cliente debulha-se em lágrimas. Emocionado, dirige-se ao encontro do artista e lhe dá efusivo abraço, agradecendo:
— Meu amigo, hoje você salvou minha vida. Eu estava desanimado e pensava em uma forma de colocar fim à existência, todavia, ao escutar sua música resolvi entrar, e sua arte contagiou-me de tal forma que me sinto mais leve, sem o peso da angustia a me dilacerar o coração. Obrigado por me ajudar a sair do clima mental perturbado que eu estava. Agora as idéias estão mais claras e percebi que os problemas devem ser encarados de frente e o suicídio não é a melhor maneira de resolvê-los.
O artista, olhos marejados pelo relato agradeceu ao solitário freguês por ter compartilhado sua história e partiu feliz, na certeza de ter cumprido o objetivo maior da música: encher de esperança o carente coração humano.


A arte é a mais bela forma de manifestação da criatura humana. A música é uma arte, logo, está inserida no contexto das maravilhas de nossas capacidades.
Portanto, não é de se estranhar que a suave melodia do artista tenha restituído à esperança a um coração combalido pelas agruras da existência.
Eis, pois, um ótimo remédio para quando estivermos desanimados: música. Música de qualidade, suave, bela, terna a representar as maravilhas da vida e a sublime ligação com a espiritualidade. Música que salva vidas e desperta o ser humano para brilhar nos palcos do mundo.
A música de qualidade é o antídoto contra a violência. Imagine, caro leitor, se todas as vezes em que houver discussão no lar você convidar seu cônjuge para ouvir a incomparável ORAÇÃO DA FAMÍLIA, de padre Zezinho. Ao invés do revide, da palavra áspera, traiçoeira e impulsiva, vem a música serena e tranqüila cantando as glórias da convivência fraterna. Não tenho dúvidas, será uma revolução social!
A arte por intermédio da música pode, além de salvar vidas, estabelecer a paz. Se você está desanimado a pensar que a vida não vale a pena, recorra à música. Se está irritado, recorra à música. Somos sensíveis à música, essa arte milenar que por bondade divina alegra e entusiasma a existência humana é uma das mais importantes ferramentas para levantar nosso astral.

Pensemos nisso.

Wellington Balbo

Teresa de Calcutá, Chico do Brasil...

Com este título, lemos excelente artigo que nos remeteu a recordações do grande papel desempenhado, no mundo, por Madre Teresa de Calcutá e o médium mineiro Francisco Cândido Xavier.

Ambos nasceram no ano de 1910. Ela, Teresa, na Albânia. Ele, Chico, em Pedro Leopoldo , Minas Gerais.

Ela, católica. Ele, espírita. No entanto, portavam-se um e outro como verdadeiros integrantes da família universal.

Tinham muito mais em comum do que apenas o ano de nascimento.

Seu mestre era o mesmo, Jesus. Tinham o mesmo sobrenome, amor. Nasceram com o mesmo objetivo, servir. Ela foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz. Ele viveu pacificamente toda a vida.

Teresa de Calcutá viveu para os menos favorecidos. Queria ser pobre. Nunca conseguiu.

Seu coração transbordava riquezas: a nobreza da generosidade, as pérolas da fraternidade, os diamantes da solidariedade.

Ela dizia, em toda a sua simplicidade, que a felicidade humana é impossível de ser mensurada.

Como controlar em planilhas estatísticas a felicidade de um faminto que encontra o alimento?

Ela tinha razão. Impossível mensurar a felicidade humana. Por isso, trabalhava sem estatísticas, mas em prol da felicidade e dignidade de seus irmãos de caminhada.

Chico Xavier, do Brasil, o mineiro do século, também queria ser pobre, sem sucesso.

Doou os direitos autorais de seus mais de quatrocentos livros psicografados, que venderam e continuam a vender milhares de exemplares em todo o mundo.

Poderia ter tido polpuda conta bancária. Preferiu a simplicidade. Mas, nunca foi pobre. Sua vida foi repleta de amigos dos dois planos da vida.

Chico era e será, onde estiver, um milionário, um magnata das letras, um ícone da humildade, um pobre das moedas, mas rico de amor...

Narram que quem se aproximava de Madre Teresa de Calcutá não conseguia conter a emoção, devido à irradiação de sua serenidade e sua intensa energia espiritual.

Aqueles que conviveram com Chico afirmam que sua presença iluminava, acalmava, tranquilizava.

Chico e Teresa. Teresa e Chico. Parece que falamos de amigos: Olá, Teresa! Bom dia, Chico!

Mesmo os que não os conhecemos pessoalmente os sentimos como amigos.

Falar de suas conquistas, realizações e aventuras é como falar a respeito de amigos, porque entre amigos não há barreiras, inquietações, constrangimentos.

Teresa e Chico eram amigos do mundo, dos ricos, dos pobres, dos brasileiros, indianos, nigerianos, amigos de todos...

Teresa, de Calcutá e Chico, do Brasil deixaram marcas inesquecíveis e indeléveis. Ambos praticavam o amor.

O convite que nos deixaram é de, dentro de nossas possibilidades, vivermos como eles, servindo e amando para a construção de um mundo mais justo e fraterno.

Pensemos nisso!



Redação do Momento Espírita com base no artigo Teresa de
Calcutá, Chico do Brasil, de autoria de Wellington Balbo,
de Bauru/SP
, publicado na Revista Espírita bimestral
da Comunhão Espírita Cristã de Lisboa,
Portugal, de maio/junho/2009.

Em 03.08.2009.

Paternidade eficaz

Antigamente, dentro da sociedade patriarcal o papel do pai na família era apenas o de provedor, que, diga-se de passagem, não refletia com exatidão a enorme responsabilidade da paternidade.

Receber nos braços para a arte da educação espíritos milenares requer muito mais do que polpuda conta bancária. É preciso para uma paternidade eficaz reunir amor, coragem, renuncia, desprendimento e equilíbrio.

Entretanto, os tempos vão viajando e as culturas sofrem significativas transformações.

Se as mulheres deixaram apenas o papel de mãe para conquistarem espaço no mercado de trabalho tornando-se executivas, políticas, economistas, médicas, secretárias, é verdade que os homens também avançaram no quesito família e hoje, com mérito, ocupam espaço cada vez maior na educação da prole. Fruto da evolução humana. Os pais modernos sabem cozinhar, fazer lição de casa, lavar a louça, beijar os filhos...

Não que os de antigamente não soubessem, mas hoje é mais comum do que ontem os pais vivenciarem um contato mais estreito com seus filhos.

A sociedade vem ao longo dos anos acostumando-se a enxergar pais mais doces. Menos sisudos, mais amigos.

Enfim, adocicar as atitudes sem perder a firmeza é um dos grandes desafios dos homens. Forçoso admitir que alguns exageram na dose da doçura e melecam a vida dos filhos. Dizem sim sempre, invariavelmente, sim. Levam a vida no pólo perigoso da não imposição de limites.

Se antes a figura paterna era sinônimo de Não posso fazer aquilo e é proibido fazer isso, hoje o Sim ganhou espaço. Sim, filho, você pode fazer isso. Sim, filho, você pode dirigir. Sim, filho, você pode bebericar goles de cerveja.

Talvez porque trabalhem demais para dar o BOM E MELHOR AOS FILHOS,os pais modernos sintam-se inclinados a satisfazer todos os desejos de seus rebentos, por mais estranhos possam parecer.

São os pólos perigosos. Por isso foi dito que é importante adocicar as atitudes, mas sem perder a firmeza. Se antes os pais eram zangados e balançavam rotineiramente a cabeça com sinal negativo, hoje são bonzinhos demais e dizem Sim para tudo.

Aqueles que conseguem equilibrar o Sim e o Não estão, efetivamente, praticando a paternidade eficaz.

Você poderá estranhar, caro leitor, um texto crítico em épocas de comemoração ao dia dos pais.

Entretanto, a idéia é mostrar a importância da educação e do equilíbrio no processo de educação dos filhos que, naturalmente, são Espíritos em viagem por esse planeta. Necessitam, pois, de um orientador seguro, que não descambe para os extremos, que saiba ouvir, orientar, dizer Sim, falar Não, enfim, amar...

Assim sendo, julguei mais oportuno oferecer ensejo à reflexão do que apenas e tão somente homenagear os pais com elogios.

E a melhor homenagem que um pai pode receber em qualquer época é, sem dúvida, saber que a educação ministrada por ele foi fundamental para o processo de amadurecimento de seu filho.

Não há nada mais gratificante para um pai do que acompanhar seu filho trilhando o caminho do BEM, porquanto a paternidade é uma das mais preciosas tarefas. Aliás, os sábios da espiritualidade asseveram que a grade missão dos pais – aqui incluindo pai e mãe – é desenvolver os filhos pela educação.

Eis, portanto, escrita de forma clara a importância da tarefa dos pais. Que todos os pais possam, na data que o mundo transformou em seu dia, refletir na grandiosidade da tarefa da educação, pois, a construção de um mundo melhor dependerá, obviamente, da educação transmitida pelos pais aos seus filhos.

A chave para a paternidade eficaz está, portanto, no equilíbrio: dizer Sim quando necessário e falar Não se for preciso, acrescentando naturalmente o amor, porque ele – o amor – dará o retoque final e imprescindível a todo processo educativo. A você, caro pai, votos de muita reflexão e sucesso nesta sublime tarefa da paternidade.



Wellington Balbo

A arte do consolo

Wellington Balbo

A continuidade da vida além da efêmera existência física é uma realidade. Embora seja idéia comum para muitos povos ao longo dos milênios de civilização, há, ainda hoje, uma multidão inconsolável de pessoas que sofrem pela partida do ente amado. Consideram que a morte do corpo físico é o final de tudo, e que não sobrará senão lembranças, muitas guardadas nos baús em fotos que alfinetam o coração e transformam em meras migalhas os relacionamentos baseados na sincera afeição. No entanto, é preciso reforçar que estão equivocadas, o Espiritismo comprova definitivamente a imortalidade da alma nas pesquisas e estudos realizados por Allan Kardec, e mais adiante pelas divinas mãos de Chico Xavier, que transformou lágrimas de tristeza e desolação em alento e esperança a corações combalidos pela partida do ente querido.

Aliás, a bibliografia nascida do médium Chico Xavier merece capítulo à parte, de suas mãos por intermédio da espiritualidade floresceram livros com os mais diversos assuntos nas mais diferentes áreas do saber humano. Tão fascinante a figura de Chico que, não raro, o médium necessitava utilizar o que o mundo da gramática chama de hipérbole, ou seja, uma linguagem exagerada para expressar pensamento. Em relação a si mesmo, costumeiramente Chico dizia ser apenas um cisco, não porque depreciasse sua imagem, mas sabedor da tendência humana à idolatria, fazia questão de ressaltar seu lado humano para que não o colocassem acima do bem e do mal endeusando sua figura.

E ainda assim, alguns o idolatravam, tentando imputar a ele um caráter místico, sobrenatural. No entanto, imperturbável, o médium seguia firme, sereno em sua tarefa mediúnica com Jesus.

Contudo, como o assunto central é o consolo proporcionado pela literatura espírita, destacamos o livro “Estamos Vivos” publicado pelo Instituto de Difusão Espírita – IDE – obra esta portadora da história de jovens que tiveram o desencarne brutal em acidente automobilístico, chocando, naturalmente, toda a família e a população de Frutal - MG, cidade onde residiam, isto no ano de 1985.

O livro mostra que a vida rompe os corredores escuros de uma morte que nos foi ensinada como um arcabouço sombrio e torturante. Além de confortar a família dos jovens pelas cartas escritas contando particularidades conhecedoras apenas dos familiares, a obra instrui e ensina comprovando a imortalidade da alma.

Coloco-me a pensar na dor e dificuldade dos familiares em encarar o desencarne de seus amores, são momentos de angustia, aflição, desalento e impotência, porquanto a morte, quando não analisada sob o prisma da continuação da vida, traz consigo o sentimento de impotência, fazendo-se soberana onde o servo ou o senhor, o obtuso ou o inteligente, o são ou o doente são obrigados a aceitar inapelavelmente seus insondáveis desígnios. O Espiritismo nesse mister desempenha nobre e esclarecedor papel; o papel de consolar e mostrar o caráter temporário da separação. Sim, Para nós espíritas a idéia do reencontro com os amores que nos precederam na grande viagem é comum, todavia, nem todos têm esse conhecimento. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística) somente 1,3% da população brasileira é espírita. Não que para ter conhecimento da continuação da vida seja necessário abraçar a causa kardequiana, porquanto a realidade da vida que rasga o véu da morte é uma verdade, e como verdade cedo ou tarde manifestar-se-á nas consciências e corações de todos, sem que seja preciso estar nesta ou naquela religião. Porém, forçoso admitir que o Espiritismo traz em seus princípios o papel de consolar; porquanto consolar significa encorajar a prosseguir, enxugando lágrimas e alegrando a jornada daqueles que estão em situação de desânimo, de modo a tornar menos penosa a partida e menos aguda a saudade dos amores colhidos pela ventania da morte do corpo físico. A missão do espírita, portanto, é divulgar as obras de Kardec e Chico para que mais e mais pessoas tomem conhecimento dos benefícios oferecidos pela literatura espírita. Fica, pois, a dica para leitura do livro “Estamos Vivos”, psicografada pelo inesquecível Chico Xavier.

Pensemos nisso.