Pastores evangélicos aplaudem evento espírita.

Causou furor a apresentação do cantor lírico Allan Vilches no teatro do Centro Cultural Matarazzo, na cidade de Presidente Prudente, no último dia 18 de dezembro. O evento promovido pela USEI de Presidente Prudente em parceria com o Centro Espírita André Luiz teve ótima repercussão. Allan é espírita residente em São Paulo, músico profissional, vem percorrendo diversas localidades com sua bela voz, que encanta e emociona, contribuindo para a divulgação da Doutrina Espírita por intermédio da arte.

Importante deixar registrado que Allan esteve por mais de uma hora cantando em programa de rádio com grande audiência na cidade de Presidente Prudente e região, e soltou a voz em vários idiomas, o que chamou a atenção do público não espírita para comparecer à sua apresentação.

Aliás, a arte, em suas mais diversas formas de expressão, é importante ferramenta de promoção e engrandecimento do ser humano, por isso, nada mais justo do que utilizá-la para fazer o Espiritismo viajar além dos horizontes do centro. A música em si traz magia, aguça a sensibilidade, toca o coração, imperioso reconhecer seu poder arrebatador, portanto, quando aliamos a música e sua leveza à mensagem espírita, os resultados conquistados em termos de divulgação do Espiritismo são significativos. Foi o que ocorreu no caso da visita de Allan à cidade de Presidente Prudente.

A propósito, o evento foi prestigiado por pessoas de outras religiões, tendo, inclusive, a presença de dois pastores evangélicos e um Ministro da Eucaristia católico, que ficaram emocionados com a apresentação do cantor lírico. Informou-nos o amigo Lourival Silveira que os pastores saíram do teatro com uma visão totalmente diferente da Doutrina Espírita e, de quebra, perguntaram se o cantor não poderia se apresentar nas igrejas evangélicas coordenadas por eles. Já o Ministro da Eucaristia católico, surpreendeu-se, não imaginava que nas fileiras espíritas houvesse espaço para a cultura. Assim como os pastores, tinha idéia diferente do Espiritismo.

Vejam caros leitores, é a arte aproximando criaturas, quebrando preconceitos, vencendo barreiras impostas pela intransigência de alguns que, por milênios, impuseram idéias prejudiciais à união das pessoas. É a arte tornando o Espiritismo conhecido e respeitado. Naturalmente os pastores não deixarão suas religiões, mas a idéia não é mesmo essa. A intenção do Espiritismo não é tomar fiéis e convencer pela força, mas sim ajuntar e despertar a criatura humana para a importância de conhecer assuntos como a reencarnação, comunicabilidade dos Espíritos, lei de ação e reação, progressão dos mundos e etc.

Fico a imaginar a bela cena: em culto evangélico um espírita apresentando a mensagem da doutrina de maneira elegante e coerente. E por que não? Porque criar embaraços se podemos nos unir. Ora, a mensagem cristã é de união e amor entre as pessoas, e o Espiritismo é cristão, acima de tudo. Podemos todos, espíritas, evangélicos, católicos, budistas, judeus e demais, lutar pela construção dos ideais de fraternidade na Terra, promovendo-a, por intermédio de nossas ações, na hierarquia dos mundos. A arte é um desses condutos, o Espiritismo e outras religiões também. Cabe-nos, portanto, como ensina a Espiritualidade, ousar no campo do bem, trabalhando para que o Espiritismo dê sua parcela de contribuição na edificação de uma sociedade mais justa e fraterna. Ousadia, pois, é a mensagem do momento; ousadia para divulgar e espalhar as lições codificadas por Kardec, para que todos possam ter acesso a elas.

Ficam registrados os parabéns pela bela e ousada iniciativa da USEI Presidente Prudente e Centro Espírita André Luiz.



Wellington Balbo – Bauru – SP.

Ano novo e boas lembranças.

O capítulo V de O Evangelho segundo o Espiritismo “Bem Aventurados os Aflitos”, é um magnífico convite à reflexão, principalmente quando chegamos nessa época de final de ano, em que nos vemos envidados a fazer um balanço existencial. E neste mesmo capítulo está o tópico “Esquecimento do passado”, de onde retirei um parágrafo para motivo de nossos estudos.

“Deus nos deu para melhorarmos, justamente o que necessitamos e nos é suficiente: a voz da consciência e as tendências instintivas; e nos tira o que poderia prejudicar-nos”.

Como lemos no parágrafo acima, a bondade divina atende perfeitamente nossas necessidades. Deus, em sua infinita misericórdia deixa o necessário para nosso adiantamento e nos faz esquecer temporariamente o que poderia nos prejudicar. Portanto, não há razões para nos debatermos em um passado que nos traria constrangimentos, diminuindo nossa estima ou exaltando nosso orgulho. Deus é o divino educador e prima por nos ensinar a viver, por isso não precisa nos torturar fazendo-nos lembrar de nossos desvarios para que aprendamos. Não necessitamos lembrar de um passado repleto de lixos emocionais, de mágoas, tristezas e rebeldias que tanto nos fizeram sofrer.

Deus apaga temporariamente o passado tortuoso, mas não apaga de nossa consciência o passado saudável, o passado de amor, de amizade e de boa convivência, aliás, este passado deve ser cultivado em nosso coração. Deus não apaga a lembrança dos amigos de infância, da primeira professora que tanto bem nos fez, do primeiro amor que tanta emoção nos causou...

O esquecimento é para o passado sinistro e tenebroso de equívocos perpetrados, de desesperança e dor. Este passado devemos temporariamente esquecer. Mas o passado das boas lembranças permanecem. Ainda bem! E como é bom voltar ao passado e viajar no tempo das doces recordações. É com carinho que me lembro de minha mãe que tão nova se mudou para a pátria espiritual, é com ternura que me lembro dos amigos de infância em Imperatriz-MA. Ah, não posso esquecer os amigos da época da escola, da faculdade, das empresas por onde passei, todos trazem alegres lembranças, doces recordações. Tenho certeza que você, caro leitor e leitora, também estão puxando na memória os amigos, os acontecimentos felizes, as eternas lembranças dos afetos queridos. Este passado a bondade divina não apaga. Alguns poderão questionar:

Mas tive um passado de dor, desilusão e sofrimento, como esquecê-lo? Como esquecer aqueles que me fizeram sofrer? Como esquecer ocorrências que tanto mal me causaram? A você, caro leitor e leitora, podemos afirmar que dói muito mais fazer sofrer do que sofrer. Quem fez sofrer habilita-se ao pagamento, no entanto, quem sofreu pode seguir em frente, renovando as idéias, a vida e construindo um novo futuro. A propósito, o findar do ano é propício para duas coisas: lembrar dos acontecimentos felizes e esquecer as passagens infelizes. Enfim, o findar do ano é tempo de refletir e recomeçar. Se a mágoa o visitou. Perdoe. Feriram seu coração? Perdoe. Causaram-lhe prejuízos? Perdoe. Perdoe sempre, esqueça o mal e lembre-se:

Viver bem é questão de escolha e recomeçar é um direito de todos. Deus nos quer felizes, por isso, ano novo, novos projetos e fé na vida!

A você, caro leitor e leitora, meus votos de feliz ano novo, que as boas lembranças estejam sempre aquecendo seu coração, estimulando-o a prosseguir com coragem e esperança, porquanto o tempo não pára, jamais!

Pensemos nisso.



Wellington Balbo
Bauru/SP